sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Edgar Degas

Hilaire-Germain-Edgar de Gas, pintor e escultor francês, nasceu a 19 de Julho de 1834 em Paris. Morreu em Paris a 27 de Setembro de 1917 e foi sepultado no jazigo de família no Cemitério de Montmartre.
Destaca-se pelo estudo apurado do movimento e fica conhecido como o pintor das bailarinas.
A origem e a formação de Edgar Degas jamais sugeriam que ele viesse a ser um revolucionário, que de uma forma tão compreensiva reformulou as nossas percepções visuais. Nasceu no seio de uma família da alta-burguesia. O seu pai, René Auguste de Gas, geria uma sucursal de um banco napolitano que pertencia à família.

Com onze anos, os pais matricularam-no num bom colégio, mas, somente quando se inscreveu no Lycee Louis Le Grand, começou a perseguir um sonho chamado «Arte». Com dezoito anos, numa sala da mansão dos seus pais, formou um atelier onde concebeu alguns dos melhores trabalhos do início da sua carreira. Não pintava muito na escola pois tinha bem assente a sua posição social e os pais relembravam-lhe constantemente que era um aristocrata. Cansado, saiu do liceu aos vinte anos de idade com outros planos em mente.
Com Louis Lamothe estudou desenho. Foi este artista quem lhe serviu de conselheiro durante os primeiros anos da sua carreira e que lhe fez florescer o gosto iminente por Dominique Ingres. Em Abril de 1855, Degas entra para a “École des Beaux-Arts”, em Paris, para os cursos de pintura e escultura..
Em Julho de 1856, visita familiares em Nápoles, e segue depois viagem para Roma. Em Itália tomou contato com as obras de Rafael Sanzio, Leonardo da Vinci, Michelângelo, Andrea Mantegna (chegou a fazer um quadro cujo título era «A cruxificação de Mantegna») entre outros artistas da Renascença.
Em 1859 regressa a Paris e trabalha num dos seus melhores trabalhos:

Retrato da família Bellelli. Quadro lhe roubou mais de dois meses, tendo esboços de todos os membros da família aristocrata italiana. Com esta pintura Degas descreveu extraordinariamente o carácter psicológico da baronesa, que contrasta visível e implacavelmente com o do barão. A baronesa confina-se a olhar enaltecidamente para uma janela que somente se sabe que ali está devido ao espelho, em pose burguesa. O barão, mais velho que a esposa, mira encarecidamente a sobrinha sentada. A par deste quadro, não se cansou de retratar os membros da sua família, incluindo o seu avô, Hilaire Germain de Gas, o patriarca da família De Gas.
Em 1860 passa algum tempo com os Valpinçon em Ménil-Hubert, na Normandia e interessa-se cada vez mais, pela pintura histórica.
Em 1872, Degas foi com seu irmão aos Estados Unidos visitar uns parentes em New Orleans, mas, embora ficasse fascinado por aquela vida, cheia de cor, achou-a difícil de assimilar e só pintou um pequeno quadro: A Bolsa do Algodão de seu tio em New Orleans e um retrato de sua prima, Madame René de Gas.

Em 1870 e 1873, visitou novamente a Itália, depois esteve várias vezes em Espanha e em 1889, visitou Marrocos.
Durante a década de 70, Degas começou a esboçar cafés-concerto e circos, registando a vida de Paris com uma completa imparcialidade. No Café de la Nouvelle-Athènes, que foi o cenário para o seu quadro O Absinto, de 1876, havia sempre uma mesa reservada para si e para os seus amigos.

Os contemporâneos de Degas não foram muito indulgentes em seu confronto, considerando-o como, no mínimo, um homem "extravagante" e "bizarro". Na verdade Degas não fazia nenhum esforço para conquistar a simpatia de estranhos e, menos ainda, dos críticos de Arte.
Desde jovem demonstrou ter um caráter difícil: era temperamental, irrequieto e inseguro. O seu olhar, como constatamos em seus auto-retratos juvenis, era triste e melancólico. A morte prematura de sua mãe, quando ele tinha apenas treze anos, assim como a severa educação familiar, contribuíram, certamente em modo não muito positivo, à formação de sua personalidade.
Pôr outro lado, ao que diz respeito ao seu caráter, até mesmo Degas admitia: "Era ou parecia duro com todos, pôr uma espécie de impulso à brutalidade que me vinha da incredulidade e mau humor. Me sentia tão inferior, tão frágil, tão incapaz, enquanto me parecia que os meus cálculos artísticos fossem tão precisos. Era mau humorado com todos e até comigo mesmo".
Degas era um solitário, mesmo se às vezes se queixava. Vivia quase todo o tempo fechado no seu estúdio, totalmente envolvido com o seu trabalho e com as suas experiências com as mais diferentes técnicas de pintura. As únicas diversões que se concedia era freqüentar o teatro e alguns amigos mais íntimos como: Manet, Moreau, Paul Valpinçon, Boldini, os Rouart e os Halevy.
A gradual perda da visão, pôr volta de seus sessenta anos, e os graves problemas econômicos, devidos a especulações financeiras erradas feitas pôr seu irmão Achille, tornaram-no ainda mais fechado e solitário.
Os seus últimos anos foram patéticos: passou muito de seu tempo vagando pelas ruas de Paris, famoso, mas indiferente à sua fama e quase alheio à Guerra Mundial que assolava o norte. Morreu em 27 de setembro de 1917.
Algumas das suas obras:
À espera

Classe de Dança

Corrida de Cavalos

Fontes:
http://www.ocaiw.com/
http://www.wikipedia.org/
Livro “DEGAS” de Bernd Growe da TASCHEN

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Castelo de Noudar

Num dos pontos mais orientais do território português, lá para as bandas do Guadiana, entre as ribeiras de “Murtiga” e de “Ardila”, jaz numa elevação sensível de terreno, defrontando como sentinela adormecida a raia de Espanha, numa ruína notável de arquitectura militar do século XIV. É Noudar!

GUSTAVO MATOS SEQUEIRA
In “Album Alentejano”


Fotografia de 2009, com o castelo já restaurado

CASTELO DE NOUDAR

Castelo de Noudar
Tu és nosso encanto.
O Rei D. Dinis
Foi assim que quis
Coroar Barrancos

Coroar Barrancos
Qu’é a nossa terra.
De mato cercado,
estás situado
No alto da serra.

No alto da serra,
E ninguém te ganha.
Sózinho e isolado,
Sem ser habitado
Olhando p’ra Espanha.

Cantando estes versos simples e bonitos, os naturais de Barrancos afirmam o orgulho natural que têm no castelo e na povoação onde mergulham profundamente as raízes da sua terra.

Situação geográfica

Num dos mais alcantilados cabeços de Barrancos, mais propriamente a noroeste desta povoação e junto à fronteira com Espanha, situa-se um castelo completamente isolado, contornado a norte e a sul, respectivamente, pelas ribeiras de Ardila e de Múrtega, que confluindo a ocidente vão formar o rio Ardila, cujo leito vai desembocar no Guadiana, perto de Moura.

Pouco conhecido, quase ninguém falava dele até há algum tempo atrás: é o CASTELO DE NOUDAR.

Situado em lugar de eleição, num ponto que se considera estratégico, ainda muito pouco se sabe do que ali se passou,não só antes da sua incorporação definitiva no reino de Portugal, em meados do século XIII, simultaneamente com Moura e Serpa, mas também posteriormente.

Desenho do castelo por Duarte D'Armas
(Livro das Fortalezas por Duarte D'Armas - Torre do Tombo, Lisboa)


Se quisermos fazer-lhe uma visita, chegados á entrada de Barrancos, há que seguir pelo itenerário que nos conduz à antiga “Vila de Noudar”, passando pelas propriedades de Russianas e da Coitadinha, depois de se atravessar a ribeira de Múrtega pela ponte que liga as suas margens no pitoresco lugar designado da Pipa.


É então que, a cerca de nove quilómetros de Barrancos, encontramos imponentes as muralhas do castelo, destacando-se a torre de menagem.


Relação cronológica de factos históricos

(Registo de alguns factos que atestam a importância demográfica e militar da “villa” medieval).

1167 - conquista da região por Gonçalo Mendes da Maia

1184 - Ofensiva almoada ao sul do rio Tejo, perdendo-se a região. Reconquistado aos mouros pelos castelhanos

1253 - tratado de paz entre os reis de Castela e Portugal que pôs fim ao diferendo suscitado pela posse do Algarve.

Noudar fica na posse de Castela

1283 - 4 de Março, doação de Afonso X (o Sábio) a sua filha D. Beatriz, de Moura, Serpa e Noudar

1295 - 16 de Dezembro, D. Dinis concede foral.

1297 - 12 de Setembro, Tratado de Alcañices para definição da linha de fronteiras.

1303 - 25 de Novembro, doação do castelo à Ordem de Avis. Início das obras.

1305 - 16 de Fevereiro, D. Afonso IV cede Aroche a Castela. Acentuam-se os problemas sociais da “contenda” (comedias).

1308 - 16 de Janeiro, conclusão das obras no castelo determinadas por D. Dinis. Iniciado o povoamento por carta outorgada pelo rei em que ali se fundava o primeiro couto de homiziados do reino.

1339 - Setembro, Diego Fernandez, pela Ordem de Santiago em Espanha, pôs apertado cerco a Noudar, que sucumbiu nos primeiros dias.

1347-50 - Sofrem-se as consequências da peste negra.

1370 - 29 de Janeiro, Frei Affonso Esteves, foi nomeado procurador da Ordem de Avis na questão da “contenda” (referente ao campo de Gamos a sul do castelo).

1372 - Pelo casamento de D. Fernando com Leonor de Teles, Noudar volta à posse da coroa de Portugal.

1383 - Após a morte de D. Fernando, Noudar volta à administração de Castela.

1385 - Sofre as contradições dos acontecimentos vividos em Portugal, mantendo-se leal a Castela.

1399 - Janeiro, com o reinado de D. João I reintegra-se na administração portuguesa, sendo rei o Mestre de Avis.

1400 - 18 de Maio, um inventário refere a existência de muito material de guerra na praça.

1403 - Revista a lei dos coutos, Noudar permanece com o mesmo estatuto.

1406 - A “villa” encontra-se um pouco despovoada.

1411 - Outubro, pelo acordo de paz com Castela é confirmada a sua posse nas terras de Portugal.

1415 - Os homiziados começam a ser canalizados para Ceuta.

1443 - 27 de Janeiro, um relatório de obras ao rei, refere reparações no castelo.

1446 - Gomez da Silva, alcaide de Noudar, foi destacado para Arzila.

1453/54 - A epidemia oriunda do norte de África alastra fortemente na região.

1475 - Incursões dos castelhanos que retiveram Noudar por três anos.

1477 - Martym Sepúlveda,fidalgo castelhano colocou-se ao lado do rei de Portugal e foi governador da praça.

1478 - Devolução da praça e reintegração no reino de Portugal.

1491 - 14 de Maio, fez-se uma demarcação entre as terras de Noudar e de Moura.

1493 - 20 de Fevereiro, inquirição tirada a respeito dos termos de Noudar e Encinasola.

1493 - 23 de Fevereiro, Pedro Afonso era Comendador e alcaide-mor de Noudar.

1493 - 16 de Março, uma inquirição acerca da aldeia de Barrancos em que Castela dizia ser sua, mas que era pertença de Barrancos. Os castelhanos moradores em Barrancos eram considerados traidores a Sevilha.

1500 - 5 de Dezembro, por contrato entre os moradores da vila de Noudar e a de Moura, ficou pertencendo a cada um destes concelhos metade das pastagens (comedias) da Defeza do Campo de Gamos.

1510 - 20 de Fevereiro, foram executadas novamente obras no castelo.

1510 - 2 de Novembro, auto de inquirição acerca da vinda dos castelhanos aos termos de Moura para lavrar e semear. Gomez da Silva era alcaide-mor de Noudar.

1513 - 28 de Julho, concedidos previlégios a Noudar, pela sua vigilância no foral de Serpa.

1513 - 17 de Outubro, Foral de D. Manuel.

1515 - 15 de Março, Bula Papal (Leão X) qu concedeu aos priores-mor insígnias pontificais com jurisdição especial no espiritual na vila de Noudar, além do temporal no convento de Avis.

1516 - 3 de Junho, Auto de posse do castelo com seu espólio, sendo nomeado alcaide Luís de Antas.

1527 - A vila é referenciada no Cadastro da População do Reyno como burgo importante.

1532 - A vila tinha 73 moradores, sendo comendador o Marquês de Torres Novas e alcaide Luís de Antas.

1542 - 14 de Outubro, primeira tentativa para resolução as questões da “”contenda” de Moura (Concordata de Moura)

1610 - A comenda de Noudar passa para a Casa Cadaval.

1639 - Tinha entre 200 a 300 vizinhos.

1640 - A fortificação foi reforçada por alguns abaluartados ao estilo da época.

1641 - A aldeia de Barrancos, termo de Noudar, foi arrasada por tropas portuguesas, por ordem do Governador das Armas do Alentejo.

1643 - 17 de Outubro, ameaças de tropas em Oliva contra Portugal, nomeadamente contra Noudar, para que os Portugueses não avançassem sobre Villa Nueva del Fresno.

1643 - 25 de Outubro, Villa Nueva del Fresno foi conquistada aos espanhóis e a sua conquista (ao fim de onze dias de refregas) foi considerada como um acto para segurança de Noudar, Safara, Stº. Aleixo, Moura e Mourão.

1644 - 15 de Agosto, o inimigo assestou as baterias sobre o castelo.

1646 - 16 de Março, deferido pelo Conselho de Guerra um pedido dos procuradores da corte da vila de Moura em que esta vila e Noudar fossem dotadas com a gente que em cortes lhes foi atribuída e que o Castelo de Noudar fosse aprovisionado com mantimentos para seis meses.

1646 - 4 de Agosto, o Governador do Alentejo pede ao rei autorização para constituir um terço de tropas em que é incluído pessoal de Noudar.

1647 - Tropas de Noudar reforçam a praça de Moura.

1660 - 23 de Junho, Rodrigo de Magalhães foi colocado como Capitão-mor na praça.

1661 - 14 de Dezembro, o Castelo de Noudar foi mandado guarnecer com oitenta infantes, munições e mantimentos.

1661 - 20 de Dezembro, a praça tem sido ameaçada de ataque pelas tropas castelhanas aquarteladas em Freixenal e Origana e continuou prevenida durante muito tempo.

1662 - A guarnição foi transferida para Elvas, deixando apenas o preciso para defender o castelo.

1668 - Finda a guerra apenas ficou uma guarnição de artilharia.

1704 - Tinha uma população de cerca de 400 vizinhos e misericórdia.

1707 - Cai em poder dos espanhóis pelos ataques das tropas do duque de Osuna, na sequência da Guerra da Sucessão.

1712 - 7 de Novembro, tratado de suspensão de armas entre o rei de Portugal (D. João V) e Castela.

1715 - Concretizou-se a promessa do rei espanhol de restituição do Castelo de Noudar com o seu território, com tantas munições de guerra e o mesmo número e calibre de peças de artilharia que tinha quando foi tomado (refª. aos artigos V, VIII e IX das pazes de Utrecht).

1732 - A guarnição da fortaleza é reforçada.

1740 - A população era de 200 vizinhos.

1755 - Traçado de uma planta do castelo na visitação que lhe fez Miguel Luís Jacob.

1774 - 20 de Agosto, alvará régio que colectava a Camara de Noudar (vila e julgado na comarca de Elvas) em 780 reis para a Universidade de Coimbra (subsídio literário).

1775 - 3 de Outubro, uma escritura de venda de casas em Moura refere que Pedro Manuel da Fonseca era Governador do Castelo.

1790 - Abolição dos coutos de homiziados.

1803 - Segunda tentativa para resolução do caso da “contenda”, sem grandes resultados.

1805 - 27 de Setembro, alvará que regulou as praças-fronteiras para terem governadores, ficando Noudar extinta e o seu governo extinto.

1811 - Noudar e Barrancos formam uma vila com juiz ordinário em Vila Ruiva.

1821 - Na divisão territorial eleitoral aparecem conjuntamente Noudar e Barrancos formando uma só vila na Comarca de Avis.

1826 - Noudar e Barrancos constituem uma freguesia – Nª. Senhora do Desterro.

1835 - 21 de Março, a reforma e divisão judicial faz depender Noudar e Barrancos do Julgado de Moura.

1835 - 16 de Agosto, em sessão da Câmara de Moura foram propostos os quesitos e respostas a respeito da usurpação da defesa de campo de Gamos pelos moradores de Barrancos e Noudar.

1855 - Setembro, ainda havia habitantes em Noudar. Alastrou ali também a epidemia de cólera mórbus.

1875 - Tinha apenas 12 fogos e casa de misericórdia muito pobre.

1879 - 27 de Março, início do processo para venda do castelo em hasta pública (requerimento de um particular ao rei).

1886 - Nomeados plenipotenciários por Portugal e Espanha para acordarem na divisão da “contenda”.

1893 - 27 de Março, assinada a Convenção sobre a “contenda”.

1893 - 29 de Julho, anunciada a venda do castelo em hasta pública, o que não veio a concretizar-se.

1893 - 11 de Outubro, concretização da venda do castelo em hasta pública pela quantia de arrematação de trezentos mil e cem reis.

1894 - 18 de Julho, ratificação da Convenção sobre a divisão da “contenda”.

1910 - 16 de Junho, decretada a classificação do Castelo de Noudar como Monumento Nacional (publicação no Diário do Governo nº. 136 de 23/6/1910).
Castelo em ruínas
Castelo recuperado
Capela de Nª. Srª. de Entre as Águas ou Nª. Srª. do Desterro
com a torre de Menagem ao fundo

Uma das cisternas do Castelo


Entrada para a Torre de Menagem

Paisagem que rodeia o Castelo de Noudar

À excepçao das fotografias a cores, toda a informação foi recolhida do livro de Adelino de Matos Coelho (CASTELO DE NOUDAR - Fortaleza Medieval)
Edição da Câmara Municipal de Barrancos
Lisboa 1986

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Pintura


Sem título - Acrílico s/ tela - 2008


Sem título - Óleo s/ tela - 2009


Framboesas - Óleo s/ tela - 24x33 cm - 2005


Uvas - Óleo s/ tela - 24x33 cm - 2006


Pêssegos - Óleo s/ tela - 19x24 cm - 2008


Mesa, Toalha e concha - Óleo s/ tela - 2003

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Henrique Pousão

Henrique César de Araújo Pousão
(01-01-1859/25-03-1884)


Nasceu em Vila Viçosa, no dia 1 de Janeiro de 1859, fruto da União matrimonial de Francisco Augusto Nunes Pousão, bacharel em Direito, com Maria Teresa Alves de Araújo. De entre os seus antepassados familiares contam-se alguns pintores: o seu avô materno, Caetano Alves de Araújo, autor de um óleo sobre tela existente na capela do Santíssimo Sacramento da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, intitulado “Instituição do Santíssimo Sacramento”, o seu bisavô paterno, António Pousão, cujos trabalhos pictóricos mais assinaláveis podem ser vistos no Convento de São Paulo da Serra de Ossa, no Redondo. Em 1863, muda-se com os pais para Elvas, onde cursa a escola primária. Em 1869, executa um desenho, “Retrato da Prima”, que revela bem os traços promissores de um artista em potência. Em 1871, Pousão e os seus pais mudam-se para Barcelos, aí ficam por alguns meses e, depois, deslocam-se para o Porto.
Em 1872, com 13 anos de idade, inicia os estudos na Academia de Belas Artes do Porto, após aprendizagem feita com o pintor António José da Costa.
Em 1873 conquista os seus primeiros prémios artísticos, na disciplina de Desenho Histórico. Em 1880 termina o seu curso de pintura e, nesse ano, concorre e consegue uma bolsa no estrangeiro. Segue para Paris, por um ano, com passagem por Madrid e pelo Museu do Prado. Em Paris, durante o ano de 1881, estuda nos ateliers de pintura de Yvon e de Cabanel. Trabalha até à exaustão e adoece com uma forte constipação, que degenera em tuberculose. A procura de melhor clima para o seu restabelecimento físico leva-o a Puy-de-Dome, a Marselha e, por fim, a Itália onde, depois de Turim e Pisa, permanece em Roma.
No verão de 1882, desloca-se à ilha de Capri onde, extasiado pela luz mediterrânica, pinta a suas melhores obras, diversas paisagens e o conhecido óleo “Casa das Persianas Azuis”.
No final do verão de 1883 regressa a Portugal percorrendo a costa mediterrânica e a 15 de Novembro chega a Vila Viçosa.
Em 1884 pinta as suas últimas obras: “Aspecto da casa do primo Matroco”, onde faleceu, “Rosas num Copo”, pintado para ser oferecido ao seu médico Dr. Couto Jardim e outras de tema floral, destinados a ser oferecidos ao seu primo Matroco.
Entre 20 e 27 de Março de 1884, Henrique Pousão morre vítima de tuberculose pulmonar.
Fonte: Câmara Municipal de Vila Viçosa


Um dos primeiros desenhos com apenas 8 anos de idade







Nú Feminino (académia)
Desenho de lápis s/ papel
59,5 x 43,5 cm








Retrato - Lápis s/ papel 1879

 Casas Brancas de Capri- Óleo s/tela 1882


 Cecília - Óleo s/ tela - 82,3 x 57,2 cm - Roma 1882

 De volta (inacabado) Óleo s/ tela 14,5 x 13,5 - (não datado)

 Janela das Persianas Azuis (II) - Óleo s/ madeira
28,5 x 25 cm - (não assinado e não datado)

 Senhora vestida de preto
Óleo s/ madeira - 28,3 x 18,4 cm 1882

 Saint Sauves

Fontes:
Livro  HENRIQUE POUSÃO de António Rodrigues - Edições INAPA - Colecção Pintores Portugueses

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Luís Dourdil





Pintor e desenhador autodidacta português, Luís César Pena Dourdil nasceu no dia 8 de Novembro de 1914, em Coimbra, e faleceu no dia 29 de Setembro de 1989, em Lisboa.





Orquestração de subtileza

Luís Dourdil é um criador. Pintor figurativo abstractizante é um dos grandes nomes da actual pintura portuguesa contemporânea.

A pintura de Luís Dourdil, que tenho acompanhado de perto nos dois últimos anos, incluindo os sucessivos encontros que com ele mantive no seu “universo” O ATELIER, permite-me abordar, em linhas gerais, o percurso humanitário e artístico do pintor.

O encontro no “atelier” dá para percerber o homem e o artista.

Na parede, extracto e memórias de toda uma vivência.

Não é fácil, hoje em dia, entrarmos no campo em que a sensibilidade representa o melhor juiz.

Luís Dourdil apresenta-se como um homem jovial, cheio de vitalidade e discreto.

A sua visão do mundo recorta-se de forma íntima, concentra-se sobre os objectos e os seres para os projectar no espaço. É o tempo da meditação. É o tempo do silêncio.

Tempo em que o pintor pensa o que deve pensar, isto é: o que deve ver. Fiel às formas que descobre e que o absorvem, a sua obra pictória é uma suave orquestração de subtileza, embora não enconda o vigor do seu carácter. Ele vai buscar ao quotidiano as cenas que guarda religiosamente no seu íntimo.

O seu olhar persegue o mundo das coisas, dos objectos, dos corpos.

Depois, transmite nas telas a dinâmica interna e surda das formas.

Pintura eminentemente sociológica onde se vêem destroços humanos; jovens em poses de um convívio de amor, jardins invisíveis; pessoas sem rostos viajando no metropolitano, etc. São as mensagens em torno do homem anónimo.

Luís Dourdil é um pintor cheio de defesas, fiel a si próprio e aos seus ideais.

Vejo-o a olhar a tela. Hesita. Medita. Pintar lentamente é, para Luís Dourdil, a consolidação da essencialidade, pelo sentido e medida que tem do seu silêncio e como tenta preencher os vazios do mundo.

O trabalho das tintas moldadas por um tratamento abstratizante expande-se em manchas, em toques, em planos e breves contrastes, na conjungação discreta mas sólida do mundo já visto e indiscutivelmente de novo dado a ver como facto redescoberto.

Conjugando um saber e uma experiência com problemas que acompanham o homem desde que ele tem consciência de ser, a sua pintura dos últimos anos, posiciona-se juntamente na confluência de dois vectores: a imagem e a forma.

Os esquemas compositivos que na sua simplicidade, ou incluem um espaço noutro espaço, ou se dispõem em planos.

É na adolescência que Luís Dourdil inicia o seu trajecto plástico, sobretudo no desenho. Até aos 30 anos o desenho é a sua matriz – núcleo imaginativo das coisas e dos seres. A sua temática abrange as gentes anónimas do meio urbano, gentes da ribeira, gentes de Alfama, trabalhadores a preto e branco.

Os bairros de Lisboa são objecto da sua pintura que se prende às sombras, aos grupos de trabalho ou à deambulação desempregada, nunca se fixa no recorte pitoresco. O mundo dos humanos constitui o seu apelo.

Nos anos 40, visita várias cidades da Europa e a sua visão emerge, plena de síntese, de acordo coma sua própria concepção plástica.

Nos anos 50, época da maturidade, o pintor capta, definitivamente, os alicerces estruturais e estéticos do seu edifício plástico.

A suavidade da cor, as sombras, as névoas, as geometrias cénicas.

É o tempo dos silêncios falantes!

In O Século, 2 Fev.1989


Dourdil dialogava constantemente com os s/quadros, num processo que ele descrevia da seguinte forma: “Preciso de parar constantemente de pintar para poder proporcionar e receber as sugestões que o quadro me vai dando à medida que nele avanço”.

Atravessando quase todo o século XX, é bastante vasta a galeria das obras de Luis Dourdil que regista uma vida inteira dedicada ao desenho e à pintura, expressão plástica que o artista definiu como: “Uma tela não está pintada por estar toda “tintada”, está, sim, quando, compositivamente, as formas nela definidas pela cor pelo desenho se harmonizam entre si e exprimem o que o pintor nos quis comunicar”.

Sobre a obra deste pintor, escreveu Rui Mário Gonçalves: “Nos seus quadros ricos de transparência, sente-se uma passagem perfeita dos primeiros aos últimos planos, e atinge-se o acordo entre a figura humana e a envolvência atmosférica numa harmonia tão íntima num equilíbrio tão justo, que deixa de ser necessário o contorno que individualiza a figura, para que seja amortecido o rigor do contacto entre o sólido e o fluído”.

Também Raul Rego o caracterizou: “Era uma sensibilidade extraordinária, o Luís Dourdil; e como essa sensibilidade se aliava a grandes conhecimentos de arte e ao domínio inteiro da técnica, em particular do desenho, o Dourdil tinha todas as condições para ter sido um nome de primeiro plano na Arte Portuguesa do nosso tempo. O seu desenho tem uma leveza e, ao mesmo tempo, uma força que marcam a personalidade do artista”.

Em 1935, surgiu pela 1ª vez na Exposição de Arte Moderna, organizada pela revista de Cultura e Arte “Momento”.

Entre 1944 e 2000, a sua obra pôde ser apreciada de norte a sul do País em exposições olectivas.

Em 2001 a obra do pintor foi divulgada numa exposição de carácter retrospectivo, no Palácio Galveias, organizada pela Câmara Municipal de Lisboa, de forma a enriquecer a possibilidade dos Lisboetas apreciarem o conjunto de obras que lhes falam dos seres e da cidade.

A obra pública deste artista também está exposta em Lisboa através da pintura de murais e de painéis de grandes dimensões de que são exemplo: o painel a carvão (30m2) no hall das antigas instalações das Companhias Reunidas de Gás e Electricidade, na Rua do Crucifixo (1942);

o mural de 25m2 no hall do Laboratório Sanitas, na Rua D. João V
(actualmente no Museu da Farmácia/ANF) (1945);

a decoração mural (esgrafito de 16m2), do Foyer de honra do Cinema Império (1952);

a pintura mural de 48m2 do Café Império (1955),

bem como a do Restaurante panorâmico do Monsanto (50m2), datada de 1967.

Este autor de uma pintura de fundo lírico, ocupou também cargos directivos ao ser eleito, em 1957, membro da Direcção da Sociedade Nacional de Belas Artes, cargo que exerceu até 1963 e em 1964 foi membro do Conselho Técnico desta Sociedade.

Ainda no ano de 1957 foi eleito pelos artistas portugueses concorrentes à Bienal de São Paulo, membro do Júri seleccionador das obras a enviar a esta Bienal, por intermédio do SNI e membro do Júri da Fundação Calouste Gulbenkian para aquisição de trabalhos na “1ª Exposição de Artes Plásticas”, organizada por esta Fundação.

Foi ainda, no ano de 1966, o criador do selo de correio comemorativo do 2º Centenário de Bocage, de cor verde, preto e azul e que esteve em circulação até 1973.

A morte de Luís Dourdil, ocorrida em 29 de Setembro de 1989 em Lisboa, é a perda do artista que faz indubitavelmente parte da história desta cidade e a Câmara Municipal de Lisboa presta-lhe homenagem através da atribuição do seu nome a um Largo da freguesia de Marvila, junto a outros pintores como Eduarda Lapa, Mário Botas, Severo Portela e Artur Bual.

Exposições lndividuais

1975 - Pintura e Desenho (primeira exposição de carácter retrospectivo), organizada pela ESBAL., Lisboa.

1982 - Galeria Diário de Notícias, Lisboa.

1986 - Galeria Bertrand, Lisboa e Porto.

1990 - Luís Dourdil Exposição/Homenagem, Galeria de Arte do Casino Estoril, Estoril.

1991 - Luís Dourdil Pintura e Desenho, Galeria 111, Lisboa.

2000 - Pintura e Desenho, Trem/Arco Galerias Municipais, Faro (11 Mar. - 07 Abr.).

2001 - Palácio Galveias, Lisboa (6 Abr. – 17 Jun.).

2002 - “O Lápis como Instrumento Soberano”, Galeria do Pátio, Casa da Cerca, Centro de Arte Contemporânea, Almada - A Geometria Sensível, Galeria dos Paços do Concelho, Tomar (Out-Dez.)

Fontes:
Luís Dourdil – Catálogo da - Exposição Pintura e Desenho, Palácio das Galveias - Lisboa, CML, 2001
Site da CML

Imagem de algumas das suas obras:



sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Barrancos












Na primeira imagem temos o Moinho da Pipa como era inicialmente, na segunda imagem temos o mesmo moinho depois de recuperado. Não faço nenhum comentário pois as imagens dizem tudo.
Deixo aqui mais uma foto duma igreja do Novo México onde talvez se tenham inspirado para fazer a reconstrução do moinho.
Novo México - Igreja

Barrancos


A árvore, que farta de ser árvore se transformou em arte

Barrancos


Estevas em flôr

Barrancos


Malhada junto ao Castelo de Noudar

Barrancos


Natureza morta


Melões - Óleo s/ tela - 40x50xcm - 2009

Natureza morta


Figos - Óleo s/ tela - 40x50 cm - 2009

Natureza morta


Natureza morta - Óleo s/ tela - 40x50 cm - 2009