terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Albrecht Dürer

Albrecht Dürer 1471 – 1528

A arte de Albrecht Dürer representa o auge da pintura no final da Idade Média. A mestria do seu desenho meticuloso e o seu colorido sensual continuam, ainda hoje, a exercer um fascínio especial.
1471 – Albrecht Dürer nasce a 21 de Maio em Nuremberga, É o terceiro dos dezoitos filhos de um pobre ourives que emigrara da Hungria para Nuremberga. Nos seus primeiros tempos de aprendizagem, Dürer trabalha como aprendiz na oficina do pai.
1486 – Ingressa como aprendiz na oficina do mestre de Nuremberga, Michael Wolgemut.
1490 – O pai manda o filho a Basileia, Colmar e Estrasburgo, em viagem de aprendiz.
1494 – Dürer regressa a Nuremberga e casa-se com Agnes Frey, filha de um cidadão abastado. Para fugir de um surto de peste, o artista empreende uma viagem até Itália, onde estuda os mestres da Renascença, sobretudo Andrea Mantegna.
1495 – Dürer regressa a Nuremberga e abre uma oficina de corte de madeira.
1498 – Publica a “Apocalipse”, uma série de xilogravuras, a qual o torna imediatamente famoso. Torna-se amigo do humanista e conselheiro real Willibald Pirckheimer.
1505 – Foge novamente da peste, viajando até Itália, onde visita Bolonha, Florença e Roma, vivendo, no entanto, a maior parte do tempo em Veneza. Conhece alguns fidalgos venezianos e estuda a arte de Leonardo e de Rafael.
1507 – Regressa a Nuremberga; durante a viagem de regresso executa paisagens que se tornarão famosas.
1509 – Adquire uma casa grande em Nuremberga, a qual hoje é o Museo “Dürer-Haus”; é leito membro do Grande Conselho da Cidade.
1512 – Começa a trabalhar como ilustrador de livros para o Imperador Maximiliano, denominado o “último cavaleiro”.
1513/14 – Executa as três gravuras de mestre “Cavaleiro, Morte e Demo”, “São Jerónimo” e “Melancolia”.
1515 – O Imperador concede-lhe um salário anual de 100 florins.
1518 – Participa como representante de Nuremberga na Assembleia Nacional do Império em Augsburgo, onde retrata, entre outras personalidades poderosas, o homem mais rico da sua época, o comerciante Jakob Fugger.
1519 – Executa diversos retratos do seu patrono, o Imperador Maximiliano.
1520 – Em Julho, de novo a fugir de um surto de peste, começa uma viagem aos Países Baixos com a sua mulher e a criada. Tenciona pedir ao sucessor de Maximiliano, o Imperador Carlos, que lhe ratifique o salário concedido. Viaja no percalço do jovem Rei, passando por Antuérpia e Bruxelas, até que, em Colónia, este lhe concede igualmente o salário estatal.
1521 – Dürer e a sua mulher passam a Primavera em Antuérpia, onde o pintor estuda a arte flamenga, tendo ficado especialmente impressionado com Lucas van Leyden. Anota no seu diário que executou doze obras. Pouco depois, adoece de malária, doença esta da qual sofrerá até ao fim da sua vida. Regressa a Nuremberga em Agosto.
1522 – Dürer declara ser a favor de Lutero e da Reforma.
1524 – Em Nuremberga, como causa da Reforma, são processados cinco pintores “sem fé”, entre estes o aprendiz de Dürer, Jörg Pencz, assim como os alunos Barthel e Sebald Beham, os quais são expulsos sa cidade. O seu talhador de madeira é preso como partidário durante a revolta dos camponeses em 1525. Enquanto isto, Dürer publica o livro de teoria da Estética “Underweysung der Messung”.
1526 – Dürer executa uma das suas obras mais importantes, os retábulos com os “Quatro Apóstolos”.
1527 – Redige a “Befestigungslehre”, um escrito militar, a qual dedica ao Rei da Boémia, irmão do Imperador.
1528 – É publicado o seu tratado “Proportioneslehre”. Dürer falece a 6 de Abril e é sepultado no cemitério “Johannesfriedhof”. Dürer era um dos cem mais abastados cidadãos de Nuremberga. Deixa uma fortuna de cerca de 250.000 marcos à sua mulher; o casal nunca tivera filhos.

Dürer foi o primeiro pintor obcecado pela sua própria imagem.
Em 1484 com treze anos de idade executa este Auto-Retrato
Desenho a lápis de prata sobre papel  - 27,5 x 19,6 cm

As mãos representam um motivo que Dürer desenhou com muita frequência. Por vezes, eram simples exercícios, representações precisas de gestos e tarefas. Outras vezes trata-se de minuciosos trabalhos preliminares para grandes quadros, como por exemplo a obra “Jesus entre os Sábios”.

As mãos de Jesus Cristo com doze anos entre os Sábios.
Desenho a pincel com aguada e realçada a branco sobre papel veneziano azul.
20,7 x 18,5 cm - Germanisches Nationalmusuem, Nuremberga
Oração, 1508 
Este desenho a pincel sobre papel azul de 29 x 19,7 cm é talvez a obra mais conhecida do artista.
Esta representação de 1503, é uma absoluta novidade no domínio da arte. Nenhum artista antes de Dürer tinha tido a coragem de representar algo de tão insignificante como um bocado de prado. Mais tarde, Dürer irá justificar o seu sentido de realidade vanguardista, escrevendo no seu livro “Teoria das Proporções”: A vida na natureza faz com que se reconheça a verdade das coisas.

O interesse científico de Dürer está sobretudo patente nos seus quadros de animais e flores. A precisão e a técnica que empregava dão a impressão de serem trabalhos absolutamente fiéis à natureza. Sobre um fundo pintado, Dürer aplica o pêlo com um pincel muito fino.
A impressão de que Dürer pintou os pêlos um por um não passa de uma ilusão óptica, a qual tornou as suas imagens de animais extremamente populares.

Em 1512. Dürer tinha 41 anos e estava no auge da sua carreira. Foi nesse ano que executou esta imagem de uma asa de pássaro sobre pergaminho. O artista representa de forma anatomicamente correcta diferentes rémiges e as cores das penas, com o olhar de um biólogo.

"Quanto mais a tua obra retratar minuciosamente a vida, melhor ela parecera"
Este era um dos lemas do grande mestre Albrecht Dürer.


Fonte: Livro DÜRER de John Berger da Taschen

domingo, 31 de janeiro de 2010

François Boucher

Retrato de François Boucher
por Gustav Lundberg


François Boucher nasceu em Paris a 29 de Setembro de 1703 e morreu em Paris a 30 de Maio de 1770.
Boucheur foi o expoente máximo do rococó, um estilo decorativo faustoso e exuberante que surgiu em França como desdobramento do barroco
Filho de um desenhador de modelos para dordados, Boucher, já um desenhador excelente, fez o seu treino com Lemoyne, o artista dos tectos de Versalhes; com Lemoyne aprendeu uma técnica versátil, que aplicou em todas as artes decorativas que cultivou, desde a tapeçaria até à aos desenhos para porcelana.
Depois de passar três anos em Roma, Boucher tentou demonstrar a sua seriedade com algumas pinturas históricas. Mas estas não estavam na linha nem do gosto nem da moda da época, pelo que foi à procura de encomendas mais lucrativas e ganhou fama com os seus temas mitológicos, sensuais e despreocupados: deusas e cupidos brincando alegremente no meio das nuvens reflectiam a sensualidade da aristocracia francesa.
Ergueram-se objecções académicas, tanto aos temas de Boucher como ao seu uso da cor, mas dirigiam-se tanto contra a poderosa protecção da arrivista marquesa de Pompadour como contra o póprio Boucher.
Boucher trabalhava arduamente; por vezes passava doze horas por diaa diante do cavalete e geria um estúdio movimentado onde Fragonard era um dos seus alunos. Boucher tinha uma mulher bela e de gostos caros que tinha de manter satisfeita, mas declarou que nunca desejaria trocar a sua carreira por nenhuma outra.
A inspiração para o seu trabalho provinha de Antoine Watteau e de Peter Paul Rubens. Às obras de Watteau foi buscar a tranquilidade da natureza e às de Rubens os volumes, as cores, o estilo solene e perspicaz. No retrato da Madame de Pompadour as duas influências são bastante claras.

A Marquesa de Pompadour era sinónimo de exuberância, exagero, teatralidade, elegância, riqueza, ostentação e requinte e através de Boucher, Madame Pompadour encontrou a maneira de se retratar como embaixadora das artes de França. Boucher não era muita entusiasta de pintar retratos e em cartas madame Pompadour confidenciou que não eram reproduções exactas, mas que não se importava desde que projectassem a imagem certa. Aqui é uma mulher de dotes literários. A perfeita representação do vestido recorda-nos que, tendo o seu pai sido desenhador de modelos de bordados, é provável que Boucher conhecesse e lidasse com tecidos finos desde tenra idade.

1703 – Nasce em Paris, filho de um desenhador de modelos para bordados.
1720 – Aprendiz de gravador com Cars, vai para os estúdios de Lemoyne.
1723 – Ganha o Prix de Rome
1728 – Vai para Roma estudar até 1731.
1731 – É aceite na Académie Royale como pintor histórico.
1733 – Casa com Marie-Jeanne Buseau da qual terá três filhos.
1734 – Torna-se membro da Académie e mais tarde será professor e reitor.
1750 – Conquista a protecção de Madame de Pompadour.
1755 – Torna-se director da Real Manufactura dos Gobelins.
1765 – Nomeado primeiro-pintor de Luís XV.
1770 – Morre em Paris.

Além de pintar, Boucher concretizou figurinos para teatros, tapetes e ficou célebre como decorador. Ajudou na decoração dos palácios de Versailles, Fontainebleau e Choisy

Odalisca
O banho de Diana

As Odaliscas sensuais produzidas por Boucher para Luís XV e vários outros clientes particulares estavam muito longe daquilo que a Académie aprovava.

Fonte: 100 Grandes Artistas de Charlotte Gerlings (Círculo de Leitores)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Rosa Bonheur


Marie-Rosalie Bonheur nasceu a 16 de março de 1822 e morreu a 25 de maio de 1899. Foi uma pintora realista francesa.

A mais velha de quatro irmãos, todos artistas, Rosa Bonheur decidiu cedo especializar-se em pintar e esculpir animais. O seu pai encorajou-a, autorizando-a a ter um carneiro na varanda do seu apartamento em Paris, num sexto andar.

A ausência do convencionalismo de Bonheur foi uma tónica da sua vida: usava cabelo curtado muito curto, fumava em público, e quando visitava matadouros e mercados para estudar a anatomia dos animais, levava consigo uma autorização da Perfeitura de Paris para usar calças e uma bata de homen em público. Usou o mesmo vestuário numa ida ao teatro, o que provocou ruidosas queixas de um homen que estava no camarote ao lado, até que lhe disseram que ela era uma artista famosa.

A sua obra foi aclamada pelos Salons e viveu bem com rendimento do seu trabalho, mantendo-se sempre afastada do sentimentalismo complexo da época.

Não havia lugar para sentimentalismos no seu palácio, onde acolhia uma colecção de animais, incluindo um casal de leões, um veado, gado, inúmeros cães e um papagaio. No palácio também funcionava uma escola gratuita de arte. Bonheur era uma professora compreensiva, tal como o seu pai. Era conhecida pela sua generosidade com artistas em dificuldade e por tomar disposições para proteger todos os que trabalhavam para ela.

1822 – Nasce Marie-Rosalie Bonheur em Bordéus, filha de um pintor paisagista.
1841 – Começa a expôr regularmente no Salon de Paris.
1848 – É-lhe concedida a primeira medalha de ouro pelo jurí que inclui Corot, Delacroix e Ingres.
1849 – Toma conta da escola de arte do pai, por morte deste.
1853 – O quadro a Feira de Cavalos, conquista o apreço e uma visita privada da Rainha Vitória.
1855(?) – Compra um palácio em Fontainebleau, que partilha com Nathalie Micas.
1860-1880 – As suas obras vendem-se sobretudo em Inglaterra.
1889 – Morre Nathalie Micas. Estabele-se uma relação com Anna Elizabeth Klumpke
1894 – Através da Imperatriz Eugénia, é a primeira mulher a quem é concedida a Grande Cruz da Légion d’Honneur Francesa.
1899 – Morre em Melun, Fontainebleau.


Lavoura no Nivernais (1848)
Uma das pinturas mais famosas de Bonheur.
Baseia-se nos estudos da própria Bonheur e foi também inspirada por Potter,
um pintor animalista holandês do século XVII.
A nobreza destes enormes animais entregues ao trabalho parece ultrapassar a eficácia dos homens que os conduzem.



Retrato do coronel William F. Cody, conhecido como o empresário de espectáculos Buffalo Bill.

Este retrato foi pintado depois da visita de Cody ao palácio de Bonheur,
durante a digressão europeia da sua Exposição do Oeste Selvagem em 1889.
Depois da morte de Bonheur, foi reproduzido em cartaz para publicitar a digressão do espectáculo de 1905.

Outras obras de Bonheur





Fontes:
100 Grandes Artistas de Charlotte Gerlings (Círculo de Leitores)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Alfredo Keil

Para a maioria dos portugueses Alfredo Keil significa apenas o nome do autor da música do Hino Nacional. Mas este português de origem alemã, além de compositor, também foi escritor, poeta, fotógrafo, pintor e coleccionador de obras de arte.
Alfredo Cristiano Keil nasceu em Lisboa a 3 de julho de 1850 e morreu em Hamburgo a 4 de outubro de 1907.
Alfredo Keil era filho de Johan Cristiano Keil (mestre de costura de fidalgos da corte e homem muito culto e de fino bom gosto). e de Maria Josefina Stellflug, de origem alsaciana, ambos radicados em Portugal.
Mestre alfaiate Christian Keil possuía duas alfaiatarias na Rua Nova do Almada e viria a ser o alfaiate do rei D. Luís e de boa parte da aristocracia e burguesia rica lisboeta. Porém a sua clientela estendia-se a outros países. Muitos clientes vinham a Lisboa mandar fazer os seus fatos, visitar a cidade e ficariam amigos deste alemão emigrado e bem relacionado. Johan Keil rapidamente se liga à alta finança internacional, investe em diversas Bolsas e adquire uma fortuna considerável, nomeadamente em títulos e imóveis a render, em Lisboa.
O filho pôde assim ter uma educação de menino rico sem qualquer limitação nos seus estudos e viagens. Desde muito novo que Alfredo Keil mostrou um talento invulgar para a música, tendo, aos 12 anos, escrito a sua primeira peça musical com o título Pensé Musicale, que dedicou à mãe.
Estudou no Colégio de Santo António e, em 1858, já tinha lições de música com António Soller.
Era um pintor de paisagens, mas também de interiores requintados, como o quadro Leitura de uma Carta, trazido a público em 1874 e recebido com entusiasmo, tanto pela aristocracia ainda dominante, como pelos burgueses endinheirados, a quem a arte singela do romantismo muito sensibilizava.
Pintor do Romantismo, numa época em que a arte mundial ia em direcção do realismo. Músico e compositor lírico, escritor e poeta, Keil não era um pintor de tempo integral, embora também não fosse um artista de fins-de-semana, pois pintava regularmente e deixou centenas de quadros com impressão fina e delicada, de excelente qualidade.
Estudou desenho e música em Nuremberga, numa academia dirigida pelo pintor Kaulbach e von Kreling.
Em 1870, devido à guerra Franco-Prussiana, regressa a Portugal.
Em 1878, inscreveu-se na Exposição Internacional de Paris.
Em 1879, esteve no Brasil, expondo no Salão Nacional de Bellas-Artes, onde conquistou medalha de ouro.
Em 1886, participou da Exposição de Madrid, recebendo a Condecoração da Ordem de Carlos III de Espanha.
Em Portugal o rei D. Luís condecorou-o com a Ordem de Cristo.
Em 1890, realizou uma exposição individual em Lisboa, na qual expôs cerca de trezentos quadros. Foi a consagração no seu país, após o reconhecimento que lhe fora dado lá fora.
Em Portugal, a sua presença como pintor foi ofuscada pelo brilhantismo com que se destacou na música e na poesia.
Entre os livros que publicou, destaca-se o livro de poesia Tojos e Rosmaninhos (1908).
Em 1890, o ultimato inglês inspirou Alfredo Keil que deu voz à indignação geral compondo "A Portuguesa". Henrique Lopes de Mendonça escreveu para esta música o poema Heróis do Mar, que se tornou popular em todo o país e veio a ser adoptada pela Assembleia Constituinte como hino nacional da República Portuguesa em 1911.
Alfredo Keil não chegou a saber, porque morreu em Hamburgo a 4 de Outubro de 1907 onde tinha ido submeter-se a uma operação cirúrgica.
Aqui ficam algumas das suas obras:
Lago Chiemsee - Baviera
Óleo sobre tela colada em cartão
12 x 40 cm - de 1869
O Aterro de 1881
Óleo sobre madeira 9 x 15 cm
Museu do Chiado - Lisboa
Peninha - Sintra
Óleo sobre tela colada em cartão
19,5 x 23,5 cm - Ano de 1879
Paisagem de Sintra
Óleo sobre madeira
26 x 19 cm - sem data
Museu Grão-Vasco - Viseu
Penedos da Serra de Sintra
Óleo sobre tela colada em madeira
38,5 x 24,5 cm - sem data
Um rebanho em Sintra
Óleo sobre tela - 25 x 37 cm - 1898
Museu do Chiado - Lisboa
Ponte rústica em Colares
Óleo sobre tela colada em cartão
25 x 38 cm - Ano 1879
Museu do Chiado - Lisboa
Azenhas do mar
Óleo sobre tela
24 x 38,5 cm - Ano 1895
Colecção Particular

ARTE E CULTURA NA SOCIEDADE PORTUGUESA, 1870-1900

Fontes:
http://www.centenariorepublica.pt/
http://www.wikipedia.org/
http://www.leme.pt/
Alfredo Keil, 1850-1907 (livro públicado pelo MC e IPPA em Dezembro de 2001

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Últimos dias da Exposição de Alberto Korda


Exposição Fotográfica de Alberto Korda – Conhecido Desconhecido


Numa iniciativa da Casa da América Latina e da Câmara Municipal de Lisboa, a exposição de fotografias de Alberto Korda, intitulada “Conhecido Desconhecido”, estará patente de dia 2 de Dezembro de 2009 até dia 31 de Janeiro de 2010, na Galeria Torreão Nascente (Edifício Cordoaria Nacional), em Lisboa.
A mostra apresentará as 200 obras de Korda (autor da fotografia de Che Guevara, intitulada Guerillero Heroico), em grande parte inéditas, “seleccionadas de entre milhares de fotogramas do autor e retiradas de arquivos pessoais de vários amigos e colaboradores.”

Alberto Korda nasceu em 1928 em La Havana (Cuba) e faleceu em 2001 em Paris (França).


Vienes quemando la brisa
con soles de primavera
para plantar la bandera
con la luz de tu sonrisa

Aquí se queda la clara,
La entrañable transparencia
De tu querida presencia,
Comandante Che Guevara.

Korda - Conhecido Desconhecido: o documentário

Alberto Korda é um dos fotógrafos mais eminentes do período revolucionário cubano, reconhecido sobretudo pela imagem de Che Guevara, "Guerrilheiro Heróico", que se tornou ícone, percorrendo mundo e gerações. Patente na Cordoaria Nacional, a exposição intitulada "Korda - Conhecido Desconhecido" faz uma visita exactamente por essas imagens mais emblemáticas tiradas pela câmara de Korda, mas também pelas facetas menos conhecidas do fotógrafo, permitindo o encontro com um artista completo e complexo. Pelas imagens tirada pela câmara de Korda entre 1958 e 1968 acedemos à história de um homem que se confunde com a história de um país.

Colando-se à proposta da exposição, o documentário realizado pela Videoteca Municipal, faz uma visita pelos tempos evocados por cada imagem de Korda. Seguindo as palavras e os passos de Cristina Vives, comissária da exposição, e com a participação de Diana Diaz, filha de Alberto Korda, e de José Figueroa, fotógrafo, em tempos assistente pessoal de Korda, o filme descobre uma história por detrás de cada fotografia, devolvendo a cada imagem, um universo.

É uma viagem. Que à medida que decorre se adensa, fixando-se e deixando-se levar por quem conhece bem as imagens, mas também pelas próprias fotografias, que por vezes são deixadas a falar por si, na sua força. E é um convite. A que quem vê o filme, se deixe levar nessa descoberta, e nessa viagem, e aí descubra Korda também.

A entrada é livre

VIDEOTECA MUNICIPAL
Largo do Calvário, nº 2 - 1300-113 LISBOA
Edifício da "Promotora" (a Alcântara) Telefone: 21. 361 02 20

Marcações Escolas: 21. 361 02 21Fax: 21. 361 02 22
e-mail: videoteca@cm-lisboa.pt

Data: 2010-01-31 Hora: 17:00

Local: Cordoaria Nacional - Galeria Torreão Nascente

Fontes:
Câmara Municipal de Lisboa
Cancão de Carlos Puebla

domingo, 24 de janeiro de 2010

Aurélia de Souza



No museu imaginário da pintura portuguesa da segunda metade do século XIX, Aurélia de Souza tornou-se uma presença inquestionável, quer entre os pintores mais velhos como Silva Porto, Marques de Oliveira, Columbano, Malhoa, Sousa Pinto e Artur Loureiro, quer entre os da sua geração, como Henrique Pousão, João Vaz, Eugénia Moreira ou António Carneiro.


Havia em Portugal , desde a geração romântica da senhora D. Maria II, algumas pintoras com ofício e obra. De um modo geral, além de nenhuma delas ter alcançado maestria a considerar, tratava-se ainda de uma actualização burguesa de prendas de sociedade antigo regime, facilitadas ou por prestigiado nome de família, de pai ou marido, ou por um status aristocrático. Nem uma coisa nem outra teve Aurélia de Souza,  quarta filha  dos sete filhos do casal seis raparigas e um rapaz.
1866 – Maria Aurélia Martins de Souza nasce a 13 de Junho no Chile, em Valparaíso, filha de Olinda Perez e de António Martins de Souza,  imigrantes portugueses no Brasil e Chile.

1869 – Com três anos, regressa a Portugal com a família e habitam  a Quinta da China comprada por seu pai, na margem direita do Douro, junto da cidade do Porto.

1874 – Morte do pai, quando Aurélia tem 8 anos. A mãe voltará a casar tendo um filho deste segundo casamento (o oitavo), nascido em 1880.

1882-1889 – Com 16 anos, começa a ter lições de desenho e pintura com António da Costa Lima que foi discípulo de Roquemont.

1889 - Realiza o seu primeiro auto-retrato conhecido, datado e assinado Aurélia Souza.

1893 - Matricula-se na Academia de Belas Artes do Porto, na aula de Desenho Histórico. Por pedido deferido pela Academia, realizou juntamente com sua irmã Sofia de Souza, exames do 1º. e 2º. anos, iniciando a frequência regular em Outubro de 1893 directamente no 3º. ano. Participa nas Exposições dos Trabalhos Escolares dos Alunos da Academia Portuense de Belas-Artes Considerados Dignos de Distinção.nos anos de 1893, 1894, 1895 e 1896.

1896 - Matricula-se no curso de Pintura Histórica da Academia de Belas-Artes do Porto, completa o 1º., 2º. e 3º. anos do referido curso em dois anos. Em Outubro de 1898, matricula-se no 4º. ano , que não chega a terminar por entretanto partir para Paris.

1899 - Sem bolsa de estudo do Estado mas com o apoio monetário da sua irmã mais velha, Helena Souza Dias, casada com José Augusto Dias, parte para Paris. Permanace no estrangeiro cerca de três anos. Frequenta os cursos de J. P. Laurens e B. Constant na Academia Julien, onde expõe e vende alguns trabalhos. Embora não bolseira, envia estudos ao mestre Marques de Oliveira para que este avalie os seus progressos. Durante o verão viaja e pinta na Bretanha

1900 - Pinta o famoso auto retrato com casaco vermelho, não datado nem assinado, (o mais belo auto retrato da pintura portuguesa), hoje pertença do Museu Nacional de Soares dos Reis.


Sua irmã, e também artista Sofia de Souza, apoiada financeiramente por outra das suas irmãs, Maria Estela de Souza, casada com Vasco Ortigão Sampaio, juntou-se a Aurélia em Paris, frequentando juntas a Academia Julien em 1900-1901.

1902 - Antes de regressarem a Portugal as duas irmãs viajam e visitam museus em Bruxelas, Antuérpia, Berlim, Roma, Florença, Veneza, Madrid e Sevilha.

1903-1909 – Desenvolve intensa actividade, nomeadamente como ilustradora e participa nas exposições anuais da Sociedade de Belas-Artes do Porto, expondo também regularmente na Galeria da Misericórdia.

1910-1922 – Além das lições, participa regularmente na vida artística portuense e expõe anualmente na Sociedade Nacional de Belas-Artes de Lisboa.

Passou a última fase de sua vida residindo na Quinta da China, nas proximidades do rio Douro, lugar aprazível e que lhe oferecia belíssimas paisagens como tema para seus quadros e lá veio a falecer, em 26 de Maio de 1922, com 55 anos.

Parte da sua obra encontra-se hoje no Museu Nacional de Soares dos Reis e na Casa-Museu Marta Ortigão Sampaio, ambos no Porto.

Fonte:
AURÉLIA DE SOUZA, livro de Raquel Henriques da Silva
Col. Pintores Portugueses.
Lisboa: Edições Inapa, 2004.
Aurélia pintando e sua irmã Sofia de Souza

Aurélia de Souza - Auto-Retrato
assinado, não datado (cerca de 1897)
Óleo sobre tela - 67,5 x 47 cm

Retrato da mãe da artista - D. Deolinda Perez de Souza
Assinado, não datado (cerca de 1900)
Óleo sobre tela - 150 x 110 cm

Jarros na borda de uma taça (Quinta da China)
Assinado, e não datado
Óleo sobre tela - 94,5 x 77,5 cm

Barcos de Pesca
Assinado, não datado
Óleo sobre tela - 33,2 x 24 cm
Esplanada - Paris; Cabaret (impressão)
Óleo sobre cartão - 16,2 x 22,5 cm

Interior - Senhora à Janela (Srª. Luisa)
Óleo sobre tela - 36,5 x 46 cm
Não assinado nem datado

História de Coelhos (Biombo em tríptico)
Óleo sobre tela aplicada sobre tecido
101,5 x 50.5 cm
Assinado e não datado

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Edgar Degas

Hilaire-Germain-Edgar de Gas, pintor e escultor francês, nasceu a 19 de Julho de 1834 em Paris. Morreu em Paris a 27 de Setembro de 1917 e foi sepultado no jazigo de família no Cemitério de Montmartre.
Destaca-se pelo estudo apurado do movimento e fica conhecido como o pintor das bailarinas.
A origem e a formação de Edgar Degas jamais sugeriam que ele viesse a ser um revolucionário, que de uma forma tão compreensiva reformulou as nossas percepções visuais. Nasceu no seio de uma família da alta-burguesia. O seu pai, René Auguste de Gas, geria uma sucursal de um banco napolitano que pertencia à família.

Com onze anos, os pais matricularam-no num bom colégio, mas, somente quando se inscreveu no Lycee Louis Le Grand, começou a perseguir um sonho chamado «Arte». Com dezoito anos, numa sala da mansão dos seus pais, formou um atelier onde concebeu alguns dos melhores trabalhos do início da sua carreira. Não pintava muito na escola pois tinha bem assente a sua posição social e os pais relembravam-lhe constantemente que era um aristocrata. Cansado, saiu do liceu aos vinte anos de idade com outros planos em mente.
Com Louis Lamothe estudou desenho. Foi este artista quem lhe serviu de conselheiro durante os primeiros anos da sua carreira e que lhe fez florescer o gosto iminente por Dominique Ingres. Em Abril de 1855, Degas entra para a “École des Beaux-Arts”, em Paris, para os cursos de pintura e escultura..
Em Julho de 1856, visita familiares em Nápoles, e segue depois viagem para Roma. Em Itália tomou contato com as obras de Rafael Sanzio, Leonardo da Vinci, Michelângelo, Andrea Mantegna (chegou a fazer um quadro cujo título era «A cruxificação de Mantegna») entre outros artistas da Renascença.
Em 1859 regressa a Paris e trabalha num dos seus melhores trabalhos:

Retrato da família Bellelli. Quadro lhe roubou mais de dois meses, tendo esboços de todos os membros da família aristocrata italiana. Com esta pintura Degas descreveu extraordinariamente o carácter psicológico da baronesa, que contrasta visível e implacavelmente com o do barão. A baronesa confina-se a olhar enaltecidamente para uma janela que somente se sabe que ali está devido ao espelho, em pose burguesa. O barão, mais velho que a esposa, mira encarecidamente a sobrinha sentada. A par deste quadro, não se cansou de retratar os membros da sua família, incluindo o seu avô, Hilaire Germain de Gas, o patriarca da família De Gas.
Em 1860 passa algum tempo com os Valpinçon em Ménil-Hubert, na Normandia e interessa-se cada vez mais, pela pintura histórica.
Em 1872, Degas foi com seu irmão aos Estados Unidos visitar uns parentes em New Orleans, mas, embora ficasse fascinado por aquela vida, cheia de cor, achou-a difícil de assimilar e só pintou um pequeno quadro: A Bolsa do Algodão de seu tio em New Orleans e um retrato de sua prima, Madame René de Gas.

Em 1870 e 1873, visitou novamente a Itália, depois esteve várias vezes em Espanha e em 1889, visitou Marrocos.
Durante a década de 70, Degas começou a esboçar cafés-concerto e circos, registando a vida de Paris com uma completa imparcialidade. No Café de la Nouvelle-Athènes, que foi o cenário para o seu quadro O Absinto, de 1876, havia sempre uma mesa reservada para si e para os seus amigos.

Os contemporâneos de Degas não foram muito indulgentes em seu confronto, considerando-o como, no mínimo, um homem "extravagante" e "bizarro". Na verdade Degas não fazia nenhum esforço para conquistar a simpatia de estranhos e, menos ainda, dos críticos de Arte.
Desde jovem demonstrou ter um caráter difícil: era temperamental, irrequieto e inseguro. O seu olhar, como constatamos em seus auto-retratos juvenis, era triste e melancólico. A morte prematura de sua mãe, quando ele tinha apenas treze anos, assim como a severa educação familiar, contribuíram, certamente em modo não muito positivo, à formação de sua personalidade.
Pôr outro lado, ao que diz respeito ao seu caráter, até mesmo Degas admitia: "Era ou parecia duro com todos, pôr uma espécie de impulso à brutalidade que me vinha da incredulidade e mau humor. Me sentia tão inferior, tão frágil, tão incapaz, enquanto me parecia que os meus cálculos artísticos fossem tão precisos. Era mau humorado com todos e até comigo mesmo".
Degas era um solitário, mesmo se às vezes se queixava. Vivia quase todo o tempo fechado no seu estúdio, totalmente envolvido com o seu trabalho e com as suas experiências com as mais diferentes técnicas de pintura. As únicas diversões que se concedia era freqüentar o teatro e alguns amigos mais íntimos como: Manet, Moreau, Paul Valpinçon, Boldini, os Rouart e os Halevy.
A gradual perda da visão, pôr volta de seus sessenta anos, e os graves problemas econômicos, devidos a especulações financeiras erradas feitas pôr seu irmão Achille, tornaram-no ainda mais fechado e solitário.
Os seus últimos anos foram patéticos: passou muito de seu tempo vagando pelas ruas de Paris, famoso, mas indiferente à sua fama e quase alheio à Guerra Mundial que assolava o norte. Morreu em 27 de setembro de 1917.
Algumas das suas obras:
À espera

Classe de Dança

Corrida de Cavalos

Fontes:
http://www.ocaiw.com/
http://www.wikipedia.org/
Livro “DEGAS” de Bernd Growe da TASCHEN