sexta-feira, 12 de março de 2010

João Cristino da Silva

“Alto e esbelto, a sua bela cabeça de perfil judaico - ornada com uma basta cabeleira negra, anelada e romântica, e meio oculta sob as abas de um chapéu à Rubens, garbosamente inclinado sobre a orelha – aparecia e destacava-se de entre a multidão em todas as reuniões públicas, nas exposições, nos teatros, nos circos, porque este artista foi, de todos os que tenho conhecido, o mais mundano, e portanto o mais popular.”
Zacharias d’Aça – João Cristino da Silva.
Ocidente. Revista Ilustrada de Portugal e do estrangeiro. Lisboa Vol X (1887)

A obra de Cristino da Silva configura em meados do século XIX um dos primeiros sinais de uma vontade de modernidade, que o romantismo havia iniciado pelo Europa.

1829 – No dia 24 de Julho, João Cristino da Silva, filho de António Paulino da Silva, nasce na Rua da Saudade, em Alfama - Lisboa. O pai, proprietário e mestre de uma fábrica de fitas, assiste com orgulho ao despontar da vocação do seu filho para a pintura, que com as sobras das tintas realiza as suas primeiras experiências, e inscreve-o na Academia das Belas Artes de Lisboa. Também Sérgio (1838-1890), o seu filho mas novo, revela aptidão para a arte e muita habilidade para o desenho, mas dedica-se definitivamente à música e aos vinte anos é primeiro violoncelo na orquestra do Teatro de S. Carlos, mais tarde, exibe-se em concertos públicos e distingue-se como professor. Desequilíbrios nervosos de que padecia, tal como seu irmão João Cristino, agravaram-lhe uma vivência desordenada, uma irregularidade no trabalho, paralelamente è frequência de um café mal afamado na Rua do Socorro, onde tocava todas as noites e para onde levava Cristino.

1841 – Neste ano, matricula-se na Academia de Belas Artes de Lisboa e termina o curso preparatório nesta instituição em 1845, iniciando o curso de Pintura de História com António Manuel da Fonseca e de Paisagem e “Produtos Naturais”, com André Monteiro da Cruz.
1847 – Neste ano, Cristino revoltado com o ensino da Academia, especialmente com a convencional orientação de André Monteiro da Cruz, de temperamento brusco e pouco acolhedor, abandona os estudos, e ingressa nas oficinas do Arsenal do Exército, onde permaneceu um ano, até à morte do seu mestre. Neste mesmo ano abandona a pintura e constitui uma sociedade (uma ourivesaria na Rua da Prata, local de encontro dos artistas românticos). Em 1848 decide abandonar esta profissão.
1850 – Nestes primeiros anos, economicamente difíceis, Cristino é apoiado pelo amador de arte Hermann Moser.
1855 – Participa nas reuniões da comissão encarregada de escolher as obras a apresentar na Exposição Universal de Paris, no Palácio das Belas Artes.
Apresenta na exposição universal de Paris o quadro “Tableau représentant cinq artistes portugais à Sintra".

Pinta nas zonas do Buçaco e Coimbra.
1856 – Presta provas no concurso para Professor substituto da cadeira de Desenho, na Universidade de Coimbra, mas é preterido por Vítor Bastos.
Realiza o quadro A primeira impressão do artista, encomendado por D. Fernando, após a aquisição da obra Cinco artistas em Sintra.
1859 – Cristino vence o concurso para professor substituto da cadeira de Paisagem e Produtos Naturais da Academia das Belas Artes de Lisboa, onde apresenta Pastores e gado passando una ribeira e Flores e frutos, apesar da oposição de António Manuel da Fonseca, membro do júri, constituído também por Tomás da Anunciação, Pires da Fonte e Francisco Metrass.
1860 – Após a nomeação para professor substituto da cadeira de Paisagem e Produtos Naturais na Academia das Belas Artes de Lisboa, assiste à primeira conferência, a 30 de Outubro.
1862 – Apresenta sete obras com imagens do Tejo e do Mondego na primeira exposição da Sociedade Promotora das Belas Artes.
Esta sociedade, já projectada em 1853 por Manuel Maria Bordalo Pinheiro, inaugura a sua primeira exposição neste ano, mantendo-se um quarto de século, sempre com a participação de Cristino, Pedroso, Anunciação, Manuel Maria, Leonel, Resende, Thomasini, Newton, Keil, Girão, Ferreira Chaves e Lupi (este participa apenas até 1870).
1863 – Apresenta na segunda exposição da Sociedade Promotora das Belas Artes imagens de Coimbra, Santarém, de Lisboa, de Cascais e do Rio Lima.
1864 – Apresenta na terceira exposição da Sociedade Promotora das Belas Artes, vistas do Buçaco, Cascais, Sintra, Nazaré, S. Martinho, Coimbra, Leiria e cenas de costumes.
Casa com Maria Joana de Mesquita e Melo, filha do tesoureiro da Academia Real das Belas Artes, Conde de Melo. Desta união teve quatro filhos, e de uma outra, o artista João Ribeiro Cristino, membro do Grupo do Leão.
1865 – Na quarta exposição da S.P.B.A. apresenta imagens de Sintra, de Peniche, de Coimbra, da Nazaré e de Pintura de costumes e de História.
Obtém a medalha de 2ª. classe na Exposição Internacional do Porto ao apresentar a Paisagem tomada do Mondego e Flores e frutos. Considerando-se injustamente classificado, publica dois opúsculos referentes a duas visitas a esta exposição.
1866 – Na quinta exposição da S.P.B.A. exibe paisagens da serra do Montejunto, de Leiria, de Coimbra, de Sintra e imagens de costumes.
1867 – Apresenta na Exposição Universal de Paris As Barracas, obra adquirida por D. Fernando. Desloca-se a Paris e posteriormente à Suíça com um subsídio do Governo de 180 mil réis (40 libras), na única viagem que efectuou ao estrangeiro.
Na sexta exposição da S.P.B.A. exibe o esboceto do quadro apresentado em Paris e imagens de Peniche, do rio Sisandro, de Coimbra, de Santarém, da Arruda, de Agualva, do Ribatejo, do Tejo, de Sintra, um episódio de pintura de História e cenas de costumes.
1868 – Apresenta na sétima exposição da S.P.B.A. paisagens do Ribatejo, do Tejo, de Sintra, recordações da Suíça, um episódio de pintura de História e cenas de costumes. Com o catálogo desta exposição é publicada, como brinde, uma gravura sua, “Um sendeiro de 40 anos”.
1869 – Internamento em Rilhafoles,(actual Hospital Miguel Bombarda) no dia 25 de Novembro, às 10,30, após intempestivas cenas na Academia Real das Belas Artes de Lisboa, que abandona neste ano. Foram-lhe diagnosticadas “manias agitadas e delírios agudos”. Saiu desta Instituição um ano depois, a 9 de Janeiro de 1870.
1870 – Apresenta na oitava exposição da S.P.B.A. imagens de pescadores, de Coimbra e paisagens não identificadas.
1871 – Expõe em Madrid as obras Cruz Alta de Sintra e Fonte das Lágrimas. Oferece esta última pintura à rainha de Espanha.
1872 – Apresenta na nona exposição da S.P.B.A. imagens de Coimbra e um retrato.
1874 – Na décima Exposição da S.P.B.A. apresenta quatro obras da zona de Sintra e dos rios Tejo e Alviela.
1876 – Pouco antes de falecer, apresenta na undécima exposição da S.P.B.A. imagens do Ribatejo, de Sintra e de Coimbra.
1877 – Morre no dia 12 de Maio, vitimado por um ataque cardíaco.


Fonte:João Cristino da Silva (1829-77)
Maria de Aires Silveira
Helena Carvalhão Buescu
João Cristino da Silva e o Tema da Paisagem na Literatura Portuguesa de meados do Século XIX
Instituto Português de Museus - Museu do Chiado, Lisboa, 2000

Francisco de Zurbarán


FRANCISCO DE ZURBARÁN



1598-1664



Francisco de Zurbarán nasceu a 7 de Novembro de 1598 em Fuente de Cantos, Badajoz, Província da Estremadura, e morreu a 27 deAgosto de 1664 em Madrid.
Foi um genial pintor barroco espanhol.
Tal como Pedro Díaz de Villanueva, Bartolomé Esteban Murillo, José de Ribera e Diego Velázquez, este artista transmite na sua obra, com sublimes técnica e temas, quase inalteráveis durante toda a sua vida, a notável influência do chamado El Siglo de Oro nas artes, não só em Espanha como em toda a Europa.
Filho de um comerciante, iniciou em 1614 a sua formação, sendo aluno do conhecido pintor Pedro Díaz de Villanueva e mantendo-se ali cerca de três anos. Jovem, com dezasseis anos, teve oportunidade de aplicar e desenvolver os seus excepcionais dotes para o desenho, no atelier do pintor sevilhano.
Quando Zurbarán começou a sua formação, o panorama artístico em Espanha era muito fértil e criativo. Como tal, e incentivada pelas riquezas provenientes do continente americano que abundaram o país, Sevilha não foi excepção, sendo esta uma próspera e poderosa cidade tanto no comércio como nas artes, as quais, por apoio e mecenato dos clérigos e dos nobres, andavam de "vento em popa".
Assim que terminou a aprendizagem, regressou à sua cidade natal, onde, com dezanove anos, contraiu o seu primeiro matrimónio, com María Perez. Porém, esta faleceu alguns anos mais tarde e Zurbarán casou novamente em 1625, desta feita com Beatriz de Morales.
Mesmo não sendo muito conhecido, em 1626 recebeu uma encomenda de um convento sevilhano, de vinte e um quadros. O preço desta encomenda totalizou 380 ducados, sendo este uma soma demasiado baixa para tantos quadros. Porém, Zurbarán não cobrava o seu trabalho e sim a ínfima possibilidade de entrar para o restrito grupo de pintores que monopolizavam o circuito artístico e cultural na cidade de Sevilha. Tal proeza conseguiu, mais tarde, quando as suas sublimes e excepcionais capacidades começaram a ser reconhecidas, tendo conseguido, surpreendentemente, conquistar artisticamente a cidade de Madrid, onde entrou em contacto não só com o maior expoente da pintura espanhola como com toda a arte da Europa.
Faleceu em Madrid, finalmente reconhecido pela sua obra.
Fonte: .wikipedia.org/

Juan de Zurbarán



JUAN DE ZURBARÁN
1620-1649




Juan de Zurbarán nasceu em LLerena, Badajoz em 1620 e morreu em Sevilla em 1649.
Filho de Francisco de Zurbarán, teve a sua formação no atelier que seu pai possuía em Sevilla.
A influência paterna está patente em toda a sua obra.
A sua obra pictórica centrou-se nas naturezas mortas, género em que está considerado como um dos expoentes máximos do “Siglo de Oro Español”.
Em 1641, casou-se com Mariana de Cuadros, filha de um rico comerciante, e que morreria pouco depois.
A sua carreira foi repentinamente interrompida, pela morte prematura. Com apenas 29 anos, contraiu a peste, durante a epidemia que assolou Sevilla e em 1649 perdeu a vida, juntamente com alguns dos seus irmãos.
Fonte: ArteHistoria - cultural em espanhol

domingo, 7 de março de 2010

A Natureza-Morta na Europa

A Perspectiva das Coisas.
A Natureza-morta na Europa
Primeira parte: Séculos XVII – XVIII
12 de Fevereiro a 2 de Maio de 2010

 
 

O Museu Calouste Gulbenkian organiza actualmente uma ambiciosa exposição internacional dedicada ao tema da Pintura de Natureza-morta na Europa, sendo a primeira do género a realizar-se em Portugal. Intitulada “A Perspectiva das Coisas. A Natureza-morta na Europa” a mostra será apresentada em duas partes e é constituída por um conjunto de obras-primas de pintores europeus de renome, desde as origens do género até meados do século XX.
A primeira parte, a expor entre 12 de Fevereiro e 2 de Maio de 2010, reúne 71 pinturas dos séculos XVII e XVIII. A produção dos séculos XIX e XX será apresentada entre 21 de Outubro de 2011 e 8 de Janeiro de 2012.
A exposição pretende explorar os temas recorrentes da natureza-morta ao longo de quatro séculos de história: naturezas-mortas com frutos, caça, cozinhas e mesas de banquete, pintura de flores, instrumentos musicais, gabinetes de curiosidades, Vanitas e obras em trompe-l’oeil. A diversidade do tratamento artístico destes temas em diversos países será demonstrada através do confronto de obras em exposição, tais como as naturezas-mortas das pintoras Louise Moillon e Fede Galizia, ou as cenas de cozinha de Jean-Siméon Chardin e Luis Meléndez.
Entre outros pintores que cultivaram o género e que integram a exposição, contam-se Juan Sanchéz Cotán, Juan van der Hamen, Pieter Claesz, Juan Zurbarán, Rembrandt van Rijn, Antonio de Pereda, Nicolas Largillierre, Jean-Baptiste Oudry, Luis de Meléndez e Francisco de Goya.

Cesto com Frutas e Molho de Espargos
Óleo sobre painel, 53,3 x 71,3 cm
Louise Moillon (1610-1696)
Natureza Morta com Marmelo, Couve, Melão e Pepino
Óleo sobre tela, 69,2 x 85,1 cm
Juan Sánchez Cotán (1560-1627)

A Sobremesa de Barquilhos
Óleo sobre painel, 41 x 52 cm
Lubin Baugin (1612/1613-1663)

Cristo em Casa de Maria e de Marta
Óleo sobre madeira, 60 x 101,5 cm
Pieter Aertsen (1507/1508-1575)

Natureza  Morta com "Roemer" e Taça de Prata
Óleo sobre madeira, 42 x 59 cm
Pieter Claesz (1596/1597-1660)
 
Cesto de Frutas
Óleo sobre tela, 72 x 105 cm
Juan de Zurbarán (1620-1649)
Fonte: Cátálogo da Exposição

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Columbano Bordalo Pinheiro

Columbano Bardalo Pinheiro (1857-1929)
1857 – Columbano Augusto Bordalo Pinheiro nasce a 21 de Novembro em Cacilhas.
1858 – É baptizado a 26 de Maio em Almada.
1868 – Pinta os primeiros quadros conhecidos, copiados de cópias de Van Dyck e Delacroix, feitas pelo pai, o pintor Manuel Maria Bordalo Pinheiro.
1872 – Matricula-se na Academia de Belas-Artes, onde é discípulo de Simões de Almeida, Vítor Bastos, Anunciação e Miguel Lupi.
1874 – Expõe pela primeira vez na Sociedade Promotora das Belas-Artes.
1876 – Expõe, pela segunda vez, na Promotora.
1877 – Expõe pela primeira vez na Academia de Belas-Artes de Lisboa.
1879 – No concurso de paisagens para bolseiros do Estado no estrangeiro é preterido por Artur Loureiro.
1880 – No concurso para uma bolsa de pintura histórica é preterido por Ernesto Condeixa.
1880 – Realiza a primeira exposição individual, na Associação de Jornalistas.
1881 – Parte com a irmã, D. Maria Augusta, para Paris, com uma bolsa de estudo, oferecida por D. Fernando.
1881 – Funda-se o Grupo do Leão, chefiado por Silva Porto. Em casa de Abel Botelho nascera a ideia da sua fundação.
1882 – Apresenta “Soirée chez lui” no Salon des Champs Elysées.
1883 – Expõe pela segunda vez no Salon de Paris (retrato do crítico e amigo, Mariano Pina). Regressa a Portugal.
1884 – O júri recusa a admissão de “Soirée chez lui” no Salão da Promotora. Mas admite-o em sala à parte, onde o mesmo júri dá lugar de honra e lhe atribui um prémio, que o artista recusa.
1885 – Pinta o famoso Grupo do Leão. Comparece na exposição colectiva promovida pelo Grupo do Leão, na cervejaria do Leão, à Rua Príncipe.
1887 – Comparece de novo na exposição colectiva do Grupo do Leão.
1891 – Apresenta a segunda exposição individual no seu atelier (Pátio do Martel) com os quadros pintados para o palácio do conde de Valença. Envia ao Salon de Paris o retrato de Rafael Bordalo Pinheiro.
1894 – Apresenta na Livraria Gomes, ao Chiado, a terceira exposição individual, na sua maioria retratos. O ministro da Instrução anula as decisões do contrato para decoração do tecto do Teatro Nacional D. Maria II e, por decreto, atribui-lhe o trabalho.
1895 – Sob os auspícios da “Revista de Hoje”, apresenta-se na sua quarta exposição individual realizada no Porto, no Palácio de Cristal. É eleito académico de Mérito da Academia de Belas-Artes de Lisboa.
1896 – Expõe no Grémio Artístico, numa colectiva.
1896 – Envia a Berlim e a Dresden trabalhos que obtêm o “Grand Prix”.
1896 – Concorre ao lugar de professor de Pintura Histórica na Academia de Lisboa, sendo vencido por Veloso Salgado.
1897 – É eleito, pela segunda vez, académico de mérito da Academia de Belas-Artes de Lisboa.
1900 – Com outros artistas, envia uma colecção de dez trabalhos à exposição Universal de Paris, onde recebe o “Grand Prix” e, do Governo Francês, o grau de Cavaleiro da Legião de Honra; pela segunda vez, visita Paris, acompanhado da irmã; o Governo Português concede-lhe o título de Oficial da Ordem de Santiago; alguns dos quadros que enviara a Paris perdem-se no naufrágio do navio que os trazia a Portugal.
1901 – Expõe em Dresden, Londres e S. Petersburgo, onde obtém três “Grand Prix”. É nomeado professor de pintura da Academia de Belas-Artes.
1902 – Expõe em Glasgow. Ganha a Medalha de Honra da Sociedade Nacional de Belas-Artes.
1903 – É nomeado presidente da Sociedade Nacional de Belas-Artes.
1904 – Organiza a sua quinta exposição individual nas salas do Diário de Notícias.
1905 – Participa na Exposição Internacional de St. Louis (América do Norte) onde lhe é concedido um “Grand Prix”.
1906 – Grande Prémio na Exposição Internacional de Barcelona.
1908 – Grande Prémio e duas Medalhas de Ouro na Exposição Internacional do Rio de Janeiro.
1910 – Visita Paris pela terceira vez, onde expõe no “Salon”, sendo alvo de significativas homenagens.
É nomeado membro da comissão encarregada pelo Governo da República para inventariar as obras de arte que pertenciam aos palácios reais.
A convite de António José de Almeida dá a sugestão das cores (verde-rubra) para a bandeira nacional.
Expõe pela primeira vez no “Salon” Nacional, onde comparecerá oito vezes.
1911 – Casa-se com D. Emília Bordalo Pinheiro, seu modelo favorito.
Faz a sua sexta exposição individual, desta vez na Academia de Belas-Artes.
Pinta para a Câmara Municipal de Lisboa o retrato de Miguel Bombarda.
1912 – Visita Paris pela quarta vez e os museus da Bélgica pela primeira vez.
1913 – Organiza a sua sétima e última exposição individual na Galeria Georges Petit, em Paris, onde o público o consagra definitivamente, como o haviam consagrado já os júris e a crítica, considerando-o igual aos melhores mestres holandeses.
Faz-se representar so “Salon” de Paris.
1914 – Envia alguns quadros à Exposição de S. Francisco da Califórnia, onde obtém o Prémio de Honra.
É nomeado director do Museu Nacional de Arte Contemporânea.
Expõe numa colectiva das Belas-Artes.
1915 - Morre sua irmã D. Maria Augusta.
Visita os museus de Madrid pela primeira vez, onde segundo diz, já nada pôde aprender.
1917 – O Governo Francês adquire uma natureza morta para o Museu do Luxemburgo.
1918 – Comparece com dezoito trabalhos numa colectiva das Belas-Artes.
1921 – Recebe a Grã-Cruz de Santiago, os amigos promovem-lhe uma homenagem a que os monistros se associam, e entregam-lhe uma mensagem com centenas de assinaturas.
1923 – Recebe o Grande Prémio na Exposição de Aguarelas de Barcelona e a Medalha de Honra, na Exposição de Aguarelas, promovida pelas Belas-Artes de Lisboa.
1924 – Abandona, inesperada e voluntariamente a cadeira de professor na Academia Belas-Artes.
1927 – A Galeria Pitti (Florença), por sugestão das vias diplomáticas, pede-lhe um auto-retrato que figura hoje na sua colecção.
Por imposição da lei, é reformado de director do Museu Nacional de Arte Contemporânea; o Ministro da Instrução comparece no Museu, à frente de uma comissão de honra e fá-lo director honorário, a pedido de um representação com centenas e assinaturas.
1928 – Comparece, pela última vez, na Sociedade Nacional Belas-Artes.
1929 – Pobre, morre em Lisboa, no Largo do Stephens, quase inesperadamente, a 6 de Novembro; o Governo decreta funerais nacionais, em que se incorpora o próprio presidente do Ministério. Fica depositado em jazigo no cemitério dos Prazeres, onde se mantém, apesar de muitos reclamarem a sua presença no Panteão Nacional.
Fonte: Columbano - Artististas Portugueses do Século XX - Editorial Notícias

COLUMBANO BORDALO PINHEIRO. UM PIONEIRO DO REALISMO PORTUGUÊS
Exposição integrada no programa das Comemorações do Centenário da República
21.10.2010 - 16.01.2011

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Caravaggio







Caravaggio

1571-1610


"mestre das luzes e das sombras"






Michelangelo Merisi nasce em 1571 em Caravaggio, próximo de Milão, filho de um arquitecto.
Órfão aos 11 anos, emprega-se como aprendiz, no atelier de Peterzano, que se dizia discípulo de Ticiano.
Sete anos depois, aos 18 anos, perde também a mãe e sente-se sozinho, mas livre para cuidar da vida.
Em 1592 vai para Roma onde a vida não foi fácil e Caravaggio chegou a passar fome.
Em 1596, conhece o seu primeiro cliente, o cardeal del Monte.
Em 1600, envolve-se em actividades criminosas, foge de Roma e vai para Nápoles.
Entre 1606 e 1609, viaja para Malta, Siracusa, Messina, Palermo e regressa a Nápoles.
Em 1610, Recebe perdão papal, e morre de malária em Porto Ercole.
A educação inicial de Caravaggio na Lombardia deu-lhe a paixão pelo realismo e o desagrado pela idealização; mais tarde em Roma, descobriria que estes eram conceitos revolucionários.
Os modelos escolhidos para santos e suplicantes nos seus quadros religiosos eram camponeses genuínos, com andrajos, rugas e pés sujos. Não surpreende que isto perturbasse tanto os clientes ortodoxos como os membros do público, que preferiam a elegância idealizada do maneirismo à observação terra-a-terra de Caravaggio.
O próprio Caravaggio admirava muito Miguel Ângelo Buonarroti e prestou-lhe homenagem por várias vezes. As mãos do anjo em Aspiração de São Mateus, pintado para a Capela Contarelli , evocam A criação de Adão no tecto da Capela Sistina.
Parece que o método de Caravaggio era pintar directamente a partir dos seus modelos, sem desenho preparatório. Isto indica o uso de lentes como auxiliar técnico. Sabe-se que o cliente, o cardeal del Monte, tinha conhecimentos de óptica e pode ter proporcionado ao artista o equipamento que teria projectado as imagens directamente sobre a tela, ajudando a reproduzir pontos de forte contraste e volume.
Ao elevar os seus próprios valores estéticos e evitar qualquer abordagem lenitina, Caravaggio literalmente colocou a arte sob uma nova luz. A fresca imediaticidade da sua obra também se adequava aos objectivos da Contra Reforma católica, dado que se esperava que as imagens dramáticas nas igrejas pudessem ser usadas para afastar o povo da austeridade prostestante.
Caravaggio aliou uma vida curta e turbulenta, ocasionalmente criminal, a uma atitude iconoclasta. A sua influência prolongou-se nos estúdios da família Gentileschi, em particular no de Artimisia Gentileschi, senhora de notável talento. A influência de Caravaggio sente-se poderosamente em Itália e no resto da Europa durante todo o século XVII, e os seus seguidores continuam a cultivar o tenebrismo e o naturalismo no século seguinte. A obra de Caravaggio continua a ecoar nos nossos tempos.

Rapaz com um cesto de fruta (1593-94)
O rapaz, é possivelmente um auto-retrato.
Caravaggio teria cerca de 21 anos, mas já demonstrava a sua segurança.

A Ceia de Emaús (pormenor) 1596-1602

Fonte: 100 Grandes Artistas de Charlotte Gerlings (Círculo de Leitores

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Fantin-Latour





Ignace Henri Jean Théodore Fantin-Latour
(1836-1906).




Filho de Jean Théodore Fantin, chamado Latour, pintor e de Hélène de Naidenoff. Teve duas irmãs, Marie e Nathalie, que serviram por diversas vezes de modelo.
Em 1841 a familia instala-se em Paris, no bairro de Saint German des Prés, onde recebe lições de desenho do seu pai, copiando gravuras e litografias.
Em 1850, apesar de não ter a idade requerida, foi aceite no curso nocturno da Petite École de Dessin.
No ano seguinte recebe aulas do pintor Horace Lecoq de Boisbaudran que o incita a ir para a rua para estudar atentamente aquilo que o rodeia, frequentando o Louvre, para copiar os quadros dos clássicos. Graças a ele, Fantin orientará a sua vida futura em direcção aos inovadores, em detrimento dos académicos.
Em 1856 pinta as primeiras naturezas mortas, a maior parte em formato pequeno e em 1857 conhece Édouard Manet, considerado o pintor mais moderno da sua época.
Em 1858, juntamente com Alphonse Legros e James McNeill Whistler, funda a Société des Trois.
Em 1861 é aceite pela primeira vez no Salon, com dois retratos e um auto-retrato.
Em 1862 expõe pela primeira vez na Royal Academy de Londres.
Em 1863, das três obras enviadas ao “Salon” somente uma é aceite, as outras duas serão expostas no “Salon de Refusés”.
Em 1864 visita pela terceira vez Londres e expõe de novo na “Royal Academy”. Vende a obra Homenagem a Delacroix.
Em 1866, ousa expôr pela primeira vez uma grande natureza morta no “Salon”. Conhece a pintora Victoria Dubourg, por quem se apaixona perdidamente, vindo a casar com ela dez anos mais tarde.
Sua irmã Marie casa com um coronel russo e parte com ele para Varsovia.
Em 1867 aluga um apartamento na “Rue des Saints-Pères". Encontra muito perto um atelier, que embora, fosse bem modesto Fantin-Latour iria usá-lo até à sua morte.
Em 1870, recebe a medalha do terceio prémio no “Salon", com “Un atelier aux Batignolles”.
Em 1871, O seu agente inglês Edwin Edwards, vem a Paris e compra quase a totalidade dos seus quadros. Começa a expôr regularmente na”Dudley Gallery” em Londres, onde as suas naturezas mortas, são cada vez mais procuradas. No decorrer dos anos seguintes, participa em exposições colectivas por várias cidades de Inglaterra.
Em 1873, Fantin-Latour volta-se para a litografia, que até à sua morte o ocupará bastante.
Em 1874, recusa-se a participar na primeira exposição de pintores impressionistas em casa de Nadar.
Em 1875 morre seu pai e Fantin-Latour parte para a Holanda com a sua noiva Victoria Dubourg, o pai de Victoria e Edwin Edwards, para visitar os museus.
Em 1876, Casa finalmente com Victoria Dubourg, e instala-se num apartamento por cima do seu atelier, na Rua das Belas Artes.
Em 1877, participa no primeiro “Salon de Lithographie”, ao qual se manterá fiel até 1897.
Em 1879, Fantin-latour é nomeado “chavalier de la Legion d’Honneur”, e condecorado com “médaille d’or” em Anvers. No ano seguinte recebe “la grande médaille d’or” em Manchester. Apesar de todo o sucesso, Latour não altera nada o seu modesto modo de vida.
Em 1883 recebe a cruz de cavaleiro da Ordem de Leopoldo na Bélgica.
Em 1885 pinta o seu último retrato de grupo.
Em 1887 Gustave Tempelaere torna-se seu “marchand” exclusivo.
Em 1894, Fantin é promovido a Oficial da Ordem de Leopoldo, na Bélgica.
Em 1898, realiza-se uma grande exposição das suas litografias no “South Kensington Museum à Londres”. O “Bristish Museum” adquire a maior parte das suas estampas. Fantin é também representado numa exposição de arte moderna em Künstlerhaus em Viena.
Em 1899 participa pela última vez no “Salon” com o seu quadro “Ondine”.
Em 1900, Expõe pela última vez na “Royal Academy” em Londres.
Em 1904, no dia 25 de Outubro, morre na sua casa de campo em Buré, Normandia, e é enterrado no cemitério de Montparnasse.

Fonte: Livro - Fantin-Latour de la réalité au rêve (Fondation de l'Hermitage)


A 26 de Junho de 2009 a Fundação Calouste Gulbenkian realizou uma exposição monográfica sobre o pintor francês Henri Fantin-Latour (1836-1904), com 74 obras de pintura, desenho e gravura deste artista contemporâneo da geração impressionista.
Tratou-se da primeira exposição realizada na Península Ibérica, e a maior em quase três décadas passadas sobre a última grande mostra que lhe foi dedicada.
A exposição - co-organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian e pelo Museo Thyssen-Bornemisza - esteve patente em Lisboa entre 26 de Junho e 06 de Setembro de 2009, seguindo posteriormente para Madrid

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Frida Kahlo





Frida Kahlo


1907-1954

Dor e Paixão

Para se entender as pinturas de Frida Kalho é necessário conhecer a sua vida.




Magdalena Carmen Frieda Kahlo Calderón nasceu a 6 de Julho de 1907, terceira filha de Matilde Calderón González, mexicana, e de Wilhelm Kahlo, alemão, em Coyoacán, um subúrbio da Cidade do México.
Em 1913, contrai poliomielite, o que a deixa com o pé direito ligeiramente deformado. Frequenta a escola primária no Colegio Alemão, na Cidade do México.
Em 1922 frequenta a Escuela Nacional Preparatoria, como uma das 35 mulheres num total de 2000 alunos. Ela queria estudar ciências naturais, em especial biologia, zoologia e anatomia e esperava vir a ser médica.
Até 1925 os seus dotes artísticos tinham sido apenas encorajados por Fernando Fernández, um amigo do pai que a ensinou a desenhar. Fernández, um respeitável tipógrafo comercial que tinha a sua oficina muito perto da escola de Kahlo, empregou-a como aprendiz assalariada, uma forma de a ajudar financeiramente. Ele pô-la a copiar gravuras do impressionista sueco Anders Zorn e ficou surpreendido com o talento que ela demonstrou ter. Porém, e apesar do seu interesse pela arte, Kahlo afirmou nunca ter pensado em seguir carreira como artista antes de Setembro de 1925, mas os seus planos iriam mudar em breve.
No dia 17 de Setembro de 1925, fica gravemente ferida na colisão entre um eléctrico e o autocarro, em que seguia da escola para casa, com o amigo Alejandro Gómez Arias. Depois do acidente, ficou de cama durante três meses. Depois de inicialmente parecer ter recuperado por completo, começou a sentir dores na coluna e no pé direito. Também se sentia sempre cansada. Aproximadamente um ano depois, deu de novo entrada no hospital. A coluna não fora radiografa na altura do acidente, e só então se descobriu que tinha várias vértebras deslocadas. Durante os nove meses seguintes teve de usar uma série de coletes de gesso. Foi nesses meses que começou a pintar, como forma de evitar o aborrecimento e a dor. “eu senti que ainda tinha energia suficiente para fazer outras coisas sem ser estudar para vir a ser médica. Comecei a pintar sem dar importância a essa actividade” disse ela mais tarde ao crítico de arte António Rodríguez.
Também se colocou um dossel com um espelho que cobria toda a parte de baixo da cama de modo a que Frida se pudesse ver e ser o seu próprio modelo. Assim começaram os auto-retratos que dominaram a obra de Frida Kahlo e que nos permitem ver todas as etapas do desenvolvimento da artista. Ela diria mais tarde “Eu pinto-me, porque estou muitas vezes sózinha e porque sou o tema que melhor conheço”
No fim de 1927, o seu estado de saúde tinha recuperado, ao ponto de Frida poder de novo levar uma vida normal, retomando o contacto com os antigos amigos de escola.
Em 1928 Frida Kahlo juntou-se ao círculo de artistas e intelectuais que defendiam uma arte mexicana independente, livre de qualquer postura académica. Defendiam o regresso às raízes da nação e ao restabelecimento da arte popular mexicana. Através de Modotti, Frida conhece Diego Rivera, que ela já tinha visto na escola preparatória onde ele tinha pintado o seu primeiro mural. Kahlo e Rivera. apaixonam-se um pelo outro. No seu fresco “Balada da Revolução”, que pintou no Ministério da Educação Pública, ele representa-a vestida com uma blusa vermelha e uma estrela ao peito, a distribuir armas para a luta revolucionária. Frida torna-se membro do Partido Comunista Mexicano.
A 21 de Agosto de 1929, Frida Kahlo casa-se com Diego Rivera (1886-1957). O casal vai primeiro viver. num apartamento no centro da Cidade do México e, depois, em Cuernavaca. Diego é expulso do Partido Comunista e Kahlo deixa também o partido.Frida fica grávida, mas devido à posição incorreta do feto, a primeira gravidez de Frida Kahlo é interrompida no princípio do ano de 1930. Rivera recebe encomendas dos EUA, e, em Novembro, o casal muda-se para São Francisco.
No ano seguinte, Frida Kahlo conhece o Dr. Leo Eloesser. Ele tornar-se-á o seu conselheiro médico, em quem ela mais irá confiar até ao fim da vida. Aumentam as dores e a deformidade na perna direita. Em Julho, o casal regressa ao México, por pouco tempo.
Em Abril de 1932, o casal muda-se para Detroit, onde Rivera foi incumbido de um outro trabalho. Ao fim de três meses e meio, a segunda gravidez de Frida Kahlo é interrompida, a 4 de Julho, com um aborto no Hospital Henry Ford. A 15 de Setembro, a mãe da artista morre, durante uma operação de vesícula.
O casal muda-se para Nova lorque em Março de 1933, onde Rivera vai pintar um mural no Rockefeller Center. Regressam ao México, no final do ano, e mudam-se para uma casa nova, em San Angel.
Devido a um <<infantilismo dos ovários>>, a terceira gravidez de Frida Kahlo é novamente interrompida, em 1934, aos três meses. É operada pela primeira vez ao pé direito e vários dedos têm que lhe ser cortados. Diego Rivera tem um romance com Cristina, a irmã mais nova de Frida.
Frida Kahlo deixa a casa de San Angel durante vários meses e aluga o seu próprio apartamento em 1935. Conhece o escultor americano, Isamu Noguchi, com quem tem um romance. Viaja para Nova Iorque com algumas amigas.
Leon Trotsky e Natalia Sedova chegam ao México, a 9 de Janeiro de 1937. Frida Kahlo põe-lhes a “Casa azul” em Coyoacán, à disposição.
André Breton e Jacqueline Lamba chegam ao México, em Abril do ano seguinte, para conhecerem Trotsky. Ficam na casa de Guadalupe Marín, a anterior mulher de Diego Rivera, e conhecem Kahlo e Rivera. A primeira exposição individual dos trabalhos de Frida Kahlo tem lugar em Outubro e Novembro, na galeria de Julien Levy, em Nova lorque. Obtém um grande êxito. Inicia um romance com o fotógrafo Nickolas Muray.
Em 1939 viaja para Paris, onde expõe os seus trabalhos na galeria Renou et Colle, em Março, e conhece os pintores surrealistas. Após o seu regresso ao México, muda-se para a casa da família, em Coyoacán. Frida Kahlo e Diego Rivera divorciam-se, no final do ano.
Em Setembro de 1940, viaja a São Francisco para ser sujeita a um tratamento pelo Dr. Eloesser. Em 8 de Dezembro, Frida Kahlo e Diego Rivera casam-se pela segunda vez.
Em 14 de Abril do ano seguinte, Guillermo Kahlo, pai de Frida morre de ataque cardíaco. Daqui em diante, Kahlo e Rivera passam a viver na “Casa azul”, em Coyoacán. Diego Rivera continua a utilizar a casa de San Angel como estúdio.
Frida Kahlo começa a escrever um diário. Torna-se membro do Seminário de Cultura Mexicana em 1942.
Oferecem-lhe um lugar como professora na Escola de Arte “La Esmeralda” em 1943. Poucos meses depois é forçada a dar as aulas em casa, em Coyoacán, por causa do seu estado de saúde.
Recebe o prêmio nacional do Ministério da Educação Pública em 1946, pelo seu quadro Moisés. Vai para Nova Iorque para ser operada da coluna.
Em 1948 torna-se novamente membro do Partido Comunista Mexicano. Dois anos depois é sujeita a um total de sete operações da coluna e passa nove meses no hospital.
Após ter alta do hospital em 1951, passa a maior parte do tempo numa cadeira de rodas. Desde então, tem que tomar comprimidos para as dores, regularmente.
Ajuda a recolher uma lista de assinaturas a favor do movimento da paz em 1952; Diego mostra-a empenhada dessa maneira no seu mural “O Pesadelo da Guerra e o Sonho da Paz”.
Lola Alvarez Bravo organiza a primeira exposição individual dos trabalhos de Frida Kahlo em 1953, na sua galeria, no México. A artista comparece à abertura deitada numa cama. A perna direita é-lhe amputada até ao joelho.
Contrai pneumonia em 1954, mas, enquanto ainda estava em convalescença, e contrariamente aos conselhos dos médicos, participa numa manifestação contra a intervenção norte-americana na Guatemala.
A 13 de Julho de 1954, na “Casa azul”, morre Frida Kahlo.

Em 1958 abre-se o Museo Frida Kahlo e é apresentado à nação mexicana, de acordo com os desejos de Diego Rivera, que morrera em 1957.


Fontes: Livro: " KAHLO" de Andrea Kettenmann (TASCHEN)

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Eugène Delacroix

Eugène Delacroix

Charenton, 1789 - Paris, 1863

Ferdinand Victor Eugène Delacroix- Nasceu a 26 de Abril de 1798 em Chareton – Saint Maurice, e morreu a 13 de Agosto de 1863 em Paris. Foi um importante pintor francês do Romantismo.


Delacroix é considerado o mais importante representante do romantismo francês. Na sua obra convergem a voluptuosidade de Rubens, o refinamento de Veronese, a expressividade cromática de Turner e o sentimento patético de seu grande amigo Géricault. O pintor, que como poucos soube sublimar os sentimentos por meio da cor, escreveu: "...nem sempre a pintura precisa de um tema". E isso seria de vital importância para a pintura das primeiras vanguardas.
Delacroix nasceu numa família de grande prestígio social , e seu pai foi ministro da república. Alguns acreditam que seu pai natural teria sido na realidade o príncipe Talleyrand, seu mecenas, com quem se dizia que Delacroix era muito parecido em personalidade e aparência. O facto é que Delacroix teve uma educação esmerada, que o transformou num erudito precoce: frequentou grandes colégios de Paris, teve aulas de música no Conservatório e de pintura na Escola de Belas-Artes. Também aprendeu aquarela com o professor Soulier e trabalhou no atelier do pintor Pierre-Narcise Guérin, onde conheceu Géricault. Visitava quase todos os dias o Louvre, para estudar as obras de Rafael e Rubens.
Em 1814, sua mãe morre, deixando-o órfão aos dezesseis anos. Eugéne passa a viver com a sua irmã Henriette.
Foi em casa de sua irmã que conheceu o primeiro amor, a jovem inglesa Elisabeth Salter. O retrato que fez dela data de 1817.
Em 1822 pinta o quadro A Barca de Dante — a obra deste escritor italiano foi um dos temas preferidos do romantismo.

A Barca de Dante, 1822
Óleo sobre tela, 189 x 246 cm
Paris Museu do Louvre

Em 1825, através de Bonington, Delacroix conheceu uma antiga bailarina da Ópera, Mme. Dalton, que se tornou sua amante. Delacroix passou os meses de Verão em Inglaterra, entrando em contacto com a literatura inglesa; o que deu frutos nas suas ilustrações litográficas para Macbeth e Hamlet. Também desenhou os heróis de Sir Walter Scott e Byron. Alguns anos mais tarde, o Fausto de Goethe viria a inspirar uma série de dezessete litografias, que foram publicadas em 1828.
Delacroix interessou-se também pelos temas políticos do momento. Sentindo-se um pouco culpado pela sua pouca participação nos acontecimentos do país, pintou A Liberdade Guiando o Povo (1830), um quadro que o estado adquiriu e que foi exibido poucas vezes, por ter sido considerado excessivamente panfletário. O certo é que a bandeira francesa tremulando nas mãos de uma liberdade resoluta e destemida, prestes a saltar da tela, impressionou um número não pequeno de espectadores. Começaram a aparecer os primeiros sintomas de laringite tuberculosa da qual Delacroix viria a morrer.

A liberdade Guiando o Povo, 1830
Óleo sobre tela, 260 x 325 cm
Paris, Museu do Louvre

O ano de 1832 trouxe consigo um grande acontecimento. A partir de uma recomendação de Mlle. Mars, Delacroix conheceu o Conde Charles de Mornay, embaixador do sultão de Marrocos, Abd er-Rahman. Delacroix foi escolhido para acompanhar o Conde numa viagem que começaria com uma estadia em Tanger, depois Meknès, Cádis, Sevilha, Oran e Argélia; regressou a França no dia 5 de Julho. Estes cinco meses preencheram os blocos de apontamentos de Delacroix com desenhos, esboços e aguarelas. A vida e os costumes árabes fascinaram-no e viriam a inspirar vários quadros. Manet nasceu em 1832
Em 1833 Delacroix foi contratado para decorar o palácio do rei em Paris, o Palácio de Luxemburgo e a biblioteca de Saint-Sulpice.
A partir de 1833, Thiers encarregou Delacroix de fazer a decoração do Quarto do Rei no Palácio de Bourbon. Apesar das recusas do Salon e da rejeição da sua candidatura para o Institut de France, Delacroix recebeu muitas encomendas e pedidos de retratos. Ele sentiu profundamente a morte do seu sobrinho, Charles de Verninac, mas foi recebido calorosamente na casa das famílias Pierret e de Villot, cuja mulher deste último, Pauline, veio a ser sua amante e posou para ele na propriedade de Villot em Champrosay. Também nesta altura começou a sua amitié amoureuse com George Sand, embora os seus sentimentos mais ternos estivessem reservados para a sua prima, Joséphine de Forget, que foi sua amante por muitos anos. As suas Mulheres da Argélia nos seus Aposentos foi um grande sucesso no Salon de 1834.
Em 1839 viajou para a Holanda com Elisa Boulanger; ficou muitas vezes em Valmont; em 1842, visitou Nohant, aproximando-se bastante de Sand e Chopin
Para aliviar o seu problema de garganta, Delacroix passou uma temporada nos Pirinéus. Trouxe desenhos e aguarelas da paisagem da montanha. O seu irmão Charles morreu em 1845. Eugène permaneceu mais algum tempo em Bordéus devido ao testamento. A subida ao trono de Louis-Napoleon em 1848 trouxe a esperança de mais encomendas do estado, mas a sua candidatura para o Institut foi repetidamente recusada. Em 1849, ele foi encarregado de pintar a Capela de Saint-Sulpice, embora o trabalho fosse adiado durante vários anos.
Jenny Le Guillou, sua amante durante vários anos, permaneceu no centro da sua vida até ao fim.
Foi responsável pela decoração do teto da Galeria de Apolo no Louvre que terminou em 1851 e antes de aceitar o trabalho, fez uma viagem à Bélgica para adquirir a inspiração de Rubens.
Também decorou o Salon de la Paix no Hotel de Ville em Paris (esta obra foi destruída durante a Commune).
Delacroix passava a maioria dos Verões em Champrosay e em Dieppe; as vistas marítimas e os quadros de flores que pintou em Dieppe exerceram uma grande influência no impressionismo.
Em 1855, exibiu quarenta e oito quadros na Exposição Universal de Paris.
Na oitava tentativa, tornou-se membro do Institut. No ano anterior, tinha sido nomeado Commandeur da Légion d'honneur.
Em 1857, a França concluiu a conquista da Argélia. Houve muitos escândalos; Flaubert foi processado devido à sua obra, Mme. Bovary e Baudelaire devido à sua obra, As Flores do Mal.
Em 1859, teve lugar o último Salon, no qual Delacroix participou; apesar da sua assiduidade, já não conseguia trabalhar continuamente e foi forçado a fazer curas de descanso no campo.
Nos seus últimos anos preferiu a solidão de seu atelier.
Em 1861, completou os frescos de Saint-Sulpice e começou a decoração da sala de jantar do banqueiro Hartmann.
Em 1863, o seu estado agravou-se; tencionava iniciar O Chefe Marroquino Recebendo um Tributo e Tobias e o Anjo, mas morreu a 13 de Agosto, só e afastado da fiel Jenny Le Guillou. No mesmo ano, foi inaugurado um Salon des Refusés destinado aos artistas rejeitados pelo Salon oficial. Manet gerou um grande alvoroço em torno do seu Déjeuner sur l'herbe, enquanto Cabanel foi aclamado pelo seu Nascimento de Vênus.
O estúdio de Delacroix foi vendido ao hotel Drouot.
Fantin-Latour apresentou a sua Homenagem a Delacroix, mesmo após a morte de Delacroix, “o príncipe dos Românticos”. Esta homenagem de Fantin-Latour foi considerada escandalosa, dada a justaposição em redor de Delacroix de pessoas com ideologias muito divergentes.

Pintura de Henri Fantin-Latour "Homenagem a Delacroix", 1864
Óleo sobre tela, 160 x 250 cm
Paris, Museu d'Orsay

Museu Delacroix

Fonte: Delacroix de Gilles Néret (TACHEN)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Antonio Canaletto





Giovanni Antonio Canale


pintor Italiano

1697 – 1768






António Canaletto optou por pintar a sua cidade natal, Veneza, sabendo que isso poderia render-lhe muito dinheiro. A sua fórmula (massas compactas de arquitectura pormenorizada, águas cintilantes e céus azuis) agradou à nobreza inglesa. Tanto que, a certa altura, Joseph Smith, o cônsul honorário, funcionava como seu agente.
Com o tempo, Canaletto refinou a sua produção para responder ainda melhor ao mercado. O seu repertório alargou-se e passou a incluir festivais e cerimónias populares venezianos e estava preparado para pintar uma série completa de vistas da cidade em tamanho uniforme, para decorar qualquer mansão.
Canaletto, não fazia segredo do seu recurso à câmara escura, em especial na fase de esboço. Esta câmara é bem conhecida e é referida pela primeira vez em 1550. Canaletto ensinou outros a usá-la, para reproduzirem a perspectiva de forma convincente. O seu sobrinho, Bernardo Belloto, revelou-se um excelente aluno e acabou por pintar para cabeças coroadas de toda a Europa.
Em 1740, a guerra na Europa interrompeu as viagens dos estrangeiros e estava na hora de ir procurar os clientes ingleses no seu próprio país. A partir de 1746, Canaletto viveu em Londres durante quase dez anos, trabalhando para clientes como o duque de Richmond, da família Hanover.

1697 –A 28 de Outubro nasce Giovanni António Canale em veneza, filho de um pintor paisagista.
1719 – Viaja com o pai até Roma em negócios ligados ao teatro (cenários).
1720 – Regista o nome no registo da corporação dos pintores venezianos.
1725 – Executa quatro obras encomendadas para o mercador Stefano Conti.
1730 – Começa a executar obras para o mercado inglês.
1740 – Percorre o canal de Brenta a caminho de Pádua.
1742 – Pinta séries de ruínas romanas para o clientes Joseph Smith.
1746 – Faz a primeira visita a Londres.
1751 – Regressa por pouco tempo a Veneza antes de permanecer em Inglaterra.
1755 – Regressa definitivamente a Veneza.
1763 – É eleito para a Academia Veneziana de Belas Artes.
1768 – Morre de febre em Veneza a 19 de Abril.
Praça de S. Marcos - Veneza

Fonte: Livro 100 Grandes Pintores (Círculo de Leitores)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Frederico Gracía Lorca


Frederico García Lorca, nasceu em Funtes Vaqueros (Granada) a 5 de Junho de 1898 e a 19 de Agosto de 1936 foi assassinado nos arredores de Granada. Tinha 38 anos.





GRANADA

Granada, calle de Elvira,
donde viven las manolas,
las que se van a la Alhambra,
las tres y las cuatro solas.
Una vestida de verde,
otra de malva, y la otra,
un corselete escocés
con cintas hasta la cola.
Las que van delante, garzas
la que va detrás, paloma,
abren por las alamedas
muselinas misteriosas.
¡Ay, qué oscura está la Alhambra!
¿Adónde irán las manolas
mientras sufren en la umbría
el surtidor y la rosa?
¿Qué galanes las esperan?
¿Bajo qué mirto reposan?
¿Qué manos roban perfumes
a sus dos flores redondas?
Nadie va con ellas, nadie;
dos garzas y una paloma.
Pero en el mundo hay galanes
que se tapan con las hojas.
La catedral ha dejado
bronces que la brisa toma;
El Genil duerme a sus bueyes
y el Dauro a sus mariposas.
La noche viene cargada
con sus colinas de sombra;
una enseña los zapatos
entre volantes de blonda;
la mayor abre sus ojos
y la menor los entorna.
¿Quién serán aquellas tres
de alto pecho y larga cola?
¿Por qué agitan los pañuelos?
¿Adónde irán a estas horas?
Granada, calle de Elvira,
donde viven las manolas,
las que se van a la Alhambra,
las tres y las cuatro solas.

http://www.los-poetas.com/
Fundação Frederico García Lorca
Casa Museu de Frederico García Lorca

Recordando Cezánne

Pastel de Óleo sobre papel

Alfama


Alfama - Lisboa
Grafite Aguarelável sobre papel

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Albrecht Dürer

Albrecht Dürer 1471 – 1528

A arte de Albrecht Dürer representa o auge da pintura no final da Idade Média. A mestria do seu desenho meticuloso e o seu colorido sensual continuam, ainda hoje, a exercer um fascínio especial.
1471 – Albrecht Dürer nasce a 21 de Maio em Nuremberga, É o terceiro dos dezoitos filhos de um pobre ourives que emigrara da Hungria para Nuremberga. Nos seus primeiros tempos de aprendizagem, Dürer trabalha como aprendiz na oficina do pai.
1486 – Ingressa como aprendiz na oficina do mestre de Nuremberga, Michael Wolgemut.
1490 – O pai manda o filho a Basileia, Colmar e Estrasburgo, em viagem de aprendiz.
1494 – Dürer regressa a Nuremberga e casa-se com Agnes Frey, filha de um cidadão abastado. Para fugir de um surto de peste, o artista empreende uma viagem até Itália, onde estuda os mestres da Renascença, sobretudo Andrea Mantegna.
1495 – Dürer regressa a Nuremberga e abre uma oficina de corte de madeira.
1498 – Publica a “Apocalipse”, uma série de xilogravuras, a qual o torna imediatamente famoso. Torna-se amigo do humanista e conselheiro real Willibald Pirckheimer.
1505 – Foge novamente da peste, viajando até Itália, onde visita Bolonha, Florença e Roma, vivendo, no entanto, a maior parte do tempo em Veneza. Conhece alguns fidalgos venezianos e estuda a arte de Leonardo e de Rafael.
1507 – Regressa a Nuremberga; durante a viagem de regresso executa paisagens que se tornarão famosas.
1509 – Adquire uma casa grande em Nuremberga, a qual hoje é o Museo “Dürer-Haus”; é leito membro do Grande Conselho da Cidade.
1512 – Começa a trabalhar como ilustrador de livros para o Imperador Maximiliano, denominado o “último cavaleiro”.
1513/14 – Executa as três gravuras de mestre “Cavaleiro, Morte e Demo”, “São Jerónimo” e “Melancolia”.
1515 – O Imperador concede-lhe um salário anual de 100 florins.
1518 – Participa como representante de Nuremberga na Assembleia Nacional do Império em Augsburgo, onde retrata, entre outras personalidades poderosas, o homem mais rico da sua época, o comerciante Jakob Fugger.
1519 – Executa diversos retratos do seu patrono, o Imperador Maximiliano.
1520 – Em Julho, de novo a fugir de um surto de peste, começa uma viagem aos Países Baixos com a sua mulher e a criada. Tenciona pedir ao sucessor de Maximiliano, o Imperador Carlos, que lhe ratifique o salário concedido. Viaja no percalço do jovem Rei, passando por Antuérpia e Bruxelas, até que, em Colónia, este lhe concede igualmente o salário estatal.
1521 – Dürer e a sua mulher passam a Primavera em Antuérpia, onde o pintor estuda a arte flamenga, tendo ficado especialmente impressionado com Lucas van Leyden. Anota no seu diário que executou doze obras. Pouco depois, adoece de malária, doença esta da qual sofrerá até ao fim da sua vida. Regressa a Nuremberga em Agosto.
1522 – Dürer declara ser a favor de Lutero e da Reforma.
1524 – Em Nuremberga, como causa da Reforma, são processados cinco pintores “sem fé”, entre estes o aprendiz de Dürer, Jörg Pencz, assim como os alunos Barthel e Sebald Beham, os quais são expulsos sa cidade. O seu talhador de madeira é preso como partidário durante a revolta dos camponeses em 1525. Enquanto isto, Dürer publica o livro de teoria da Estética “Underweysung der Messung”.
1526 – Dürer executa uma das suas obras mais importantes, os retábulos com os “Quatro Apóstolos”.
1527 – Redige a “Befestigungslehre”, um escrito militar, a qual dedica ao Rei da Boémia, irmão do Imperador.
1528 – É publicado o seu tratado “Proportioneslehre”. Dürer falece a 6 de Abril e é sepultado no cemitério “Johannesfriedhof”. Dürer era um dos cem mais abastados cidadãos de Nuremberga. Deixa uma fortuna de cerca de 250.000 marcos à sua mulher; o casal nunca tivera filhos.

Dürer foi o primeiro pintor obcecado pela sua própria imagem.
Em 1484 com treze anos de idade executa este Auto-Retrato
Desenho a lápis de prata sobre papel  - 27,5 x 19,6 cm

As mãos representam um motivo que Dürer desenhou com muita frequência. Por vezes, eram simples exercícios, representações precisas de gestos e tarefas. Outras vezes trata-se de minuciosos trabalhos preliminares para grandes quadros, como por exemplo a obra “Jesus entre os Sábios”.

As mãos de Jesus Cristo com doze anos entre os Sábios.
Desenho a pincel com aguada e realçada a branco sobre papel veneziano azul.
20,7 x 18,5 cm - Germanisches Nationalmusuem, Nuremberga
Oração, 1508 
Este desenho a pincel sobre papel azul de 29 x 19,7 cm é talvez a obra mais conhecida do artista.
Esta representação de 1503, é uma absoluta novidade no domínio da arte. Nenhum artista antes de Dürer tinha tido a coragem de representar algo de tão insignificante como um bocado de prado. Mais tarde, Dürer irá justificar o seu sentido de realidade vanguardista, escrevendo no seu livro “Teoria das Proporções”: A vida na natureza faz com que se reconheça a verdade das coisas.

O interesse científico de Dürer está sobretudo patente nos seus quadros de animais e flores. A precisão e a técnica que empregava dão a impressão de serem trabalhos absolutamente fiéis à natureza. Sobre um fundo pintado, Dürer aplica o pêlo com um pincel muito fino.
A impressão de que Dürer pintou os pêlos um por um não passa de uma ilusão óptica, a qual tornou as suas imagens de animais extremamente populares.

Em 1512. Dürer tinha 41 anos e estava no auge da sua carreira. Foi nesse ano que executou esta imagem de uma asa de pássaro sobre pergaminho. O artista representa de forma anatomicamente correcta diferentes rémiges e as cores das penas, com o olhar de um biólogo.

"Quanto mais a tua obra retratar minuciosamente a vida, melhor ela parecera"
Este era um dos lemas do grande mestre Albrecht Dürer.


Fonte: Livro DÜRER de John Berger da Taschen

domingo, 31 de janeiro de 2010

François Boucher

Retrato de François Boucher
por Gustav Lundberg


François Boucher nasceu em Paris a 29 de Setembro de 1703 e morreu em Paris a 30 de Maio de 1770.
Boucheur foi o expoente máximo do rococó, um estilo decorativo faustoso e exuberante que surgiu em França como desdobramento do barroco
Filho de um desenhador de modelos para dordados, Boucher, já um desenhador excelente, fez o seu treino com Lemoyne, o artista dos tectos de Versalhes; com Lemoyne aprendeu uma técnica versátil, que aplicou em todas as artes decorativas que cultivou, desde a tapeçaria até à aos desenhos para porcelana.
Depois de passar três anos em Roma, Boucher tentou demonstrar a sua seriedade com algumas pinturas históricas. Mas estas não estavam na linha nem do gosto nem da moda da época, pelo que foi à procura de encomendas mais lucrativas e ganhou fama com os seus temas mitológicos, sensuais e despreocupados: deusas e cupidos brincando alegremente no meio das nuvens reflectiam a sensualidade da aristocracia francesa.
Ergueram-se objecções académicas, tanto aos temas de Boucher como ao seu uso da cor, mas dirigiam-se tanto contra a poderosa protecção da arrivista marquesa de Pompadour como contra o póprio Boucher.
Boucher trabalhava arduamente; por vezes passava doze horas por diaa diante do cavalete e geria um estúdio movimentado onde Fragonard era um dos seus alunos. Boucher tinha uma mulher bela e de gostos caros que tinha de manter satisfeita, mas declarou que nunca desejaria trocar a sua carreira por nenhuma outra.
A inspiração para o seu trabalho provinha de Antoine Watteau e de Peter Paul Rubens. Às obras de Watteau foi buscar a tranquilidade da natureza e às de Rubens os volumes, as cores, o estilo solene e perspicaz. No retrato da Madame de Pompadour as duas influências são bastante claras.

A Marquesa de Pompadour era sinónimo de exuberância, exagero, teatralidade, elegância, riqueza, ostentação e requinte e através de Boucher, Madame Pompadour encontrou a maneira de se retratar como embaixadora das artes de França. Boucher não era muita entusiasta de pintar retratos e em cartas madame Pompadour confidenciou que não eram reproduções exactas, mas que não se importava desde que projectassem a imagem certa. Aqui é uma mulher de dotes literários. A perfeita representação do vestido recorda-nos que, tendo o seu pai sido desenhador de modelos de bordados, é provável que Boucher conhecesse e lidasse com tecidos finos desde tenra idade.

1703 – Nasce em Paris, filho de um desenhador de modelos para bordados.
1720 – Aprendiz de gravador com Cars, vai para os estúdios de Lemoyne.
1723 – Ganha o Prix de Rome
1728 – Vai para Roma estudar até 1731.
1731 – É aceite na Académie Royale como pintor histórico.
1733 – Casa com Marie-Jeanne Buseau da qual terá três filhos.
1734 – Torna-se membro da Académie e mais tarde será professor e reitor.
1750 – Conquista a protecção de Madame de Pompadour.
1755 – Torna-se director da Real Manufactura dos Gobelins.
1765 – Nomeado primeiro-pintor de Luís XV.
1770 – Morre em Paris.

Além de pintar, Boucher concretizou figurinos para teatros, tapetes e ficou célebre como decorador. Ajudou na decoração dos palácios de Versailles, Fontainebleau e Choisy

Odalisca
O banho de Diana

As Odaliscas sensuais produzidas por Boucher para Luís XV e vários outros clientes particulares estavam muito longe daquilo que a Académie aprovava.

Fonte: 100 Grandes Artistas de Charlotte Gerlings (Círculo de Leitores)