domingo, 13 de junho de 2010

As Duas Annas Kostenko

Circula na net um PowerPoint, que tem levado muita gente ao engano.
Trata-se duma apresentação onde mostram as fotografias da fotógrafa Anna Kostenko, como se fossem pinturas da Artista com o mesmo nome Anna Kostenko.

Quanto à Anna Kostenko fotógrafa, aqui fica mais um link que nos leva à sua notável obra .

 Se puder acrescentar algo a esta informação, não hesite e deixe o seu comentário. Obrigada.

13 de Junho de 2005

Eugénio de Andrade

19-01-1923
13-06-2005

O poeta português mais lido e traduzido.
     
  
Conselho
Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.



É urgente o amor

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas, nasceu no dia 19/01/1923 em Póvoa de Atalaia, concelho do Fundão, e faleceu no Porto no dia 13/06/2005. Viveu em Lisboa, onde frequentou a Escola Técnica Machado de Castro. Terminados os estudos liceais, cumpriu o serviço militar e entrou para o funcionalismo público como inspector dos Serviços Médico-Sociais (1947-1983).
Em 1950, é transferido para o Porto, onde fixa residência. Desde cedo se dedicou à poesia, alcançando grande notoriedade com livros como As Mãos e os Frutos (1948) e Os Amantes sem Dinheiro (1950). Traduziu vários poetas estrangeiros, de que se destacam Frederico García Lorca e Safo, e organizou várias antologias, sendo a mais conhecida a que dedicou ao Porto com o título Daqui Houve Nome Portugal (1968).
Em 1982, o Presidente da República conferiu-lhe o grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.
Em 1989, ganhou o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores pelo livro O Outro Nome da Terra. Nesse mesmo ano, recebeu o prémio Jean Malrieu para o melhor livro de poesia estrangeira publicado em França com a obra Blanc sur Blanc. Em 1990, é criada no Porto a Fundação Eugénio de Andrade.
Eugénio de Andrade,  morre a 13 de Junho de 2005 

Obras: As Mãos e os Frutos (1948), Os Amantes sem Dinheiro (1950), As Palavras Interditas (1951), Até Amanhã (1956), Coração do Dia (1958), Mar de Setembro (1961), Ostinato Rigore (1964), Antologia Breve (1972), Véspera de Água (1973), Limiar dos Pássaros (1976), Memória de Outro Rio (1978), Rosto Precário (1979), Matéria Solar (1980), Branco no Branco (1984), Aquela Nuvem e Outras (1986), Vertentes do Olhar (1987), O Outro Nome da Terra (1988), Poesia e Prosa (1940-1989) (obra completa, 1990), Rente ao Dizer (1992), À Sombra da Memória (1993), Ofício de Paciência (1994), Trocar de Rosa / Poemas e Fragmentos de Safo (1995), O Sal da Língua (1995).

13 de Junho de 2005



Álvaro Cunhal
10-11-2013
13-06-2005

Político, escritor, artista plástico, resistente e dirigente comunista



1913: Nasce a 10 de Novembro, em Coimbra, filho de Avelino Cunhal e Mercedes Ferreira Barreirinhas.
1931: Com 17 anos, Álvaro Cunhal adere ao PCP, através da Federação das Juventudes Comunistas.
1932: Participa na direcção da Associação Académica de Lisboa.
1934: É eleito para o Senado Universitário.
1935: Eleito para o Secretariado da Federação das Juventudes Comunistas.
1937: Cunhal é preso pela primeira vez, a 20 de Julho.
1939: É colocado a cumprir serviço militar na Companhia Disciplinar de Penamacor.
1940: É de novo preso.
1942: Cunhal adopta o pseudónimo de "Duarte".
1949: Prisão de Álvaro Cunhal numa casa clandestina no Luso.
1950: Cunhal julgado e condenado faz do processo uma afirmação política do comunismo.
1953: É transferido da Penitenciária de Lisboa para Peniche após ter estado doente.
1960: Cunhal foge de Peniche a 3 de Janeiro. Em Dezembro, nasce a sua filha Ana.
1961: Entre Fevereiro e Maio, Cunhal vive no Porto, junto ao Mercado do Bom Sucesso, com a mulher Isaura e a filha Ana. Eleito pelo Comité Central secretário-geral do PCP, passa a viver no estrangeiro.
1974: Revolução do 25 de Abril. Legalização do PCP. No dia 30 de Abril, Álvaro Cunhal regressa a Lisboa. É ministro sem pasta nos Governos Provisórios até 1975.
1975: Nas eleições para a Assembleia Constituinte, a 25 de Abril, Cunhal encabeça a lista do círculo de Lisboa.
1982: Torna-se membro do Conselho de Estado.
1985: Em Agosto, Cunhal publica O Partido com Paredes de Vidro.
1989: Álvaro Cunhal vai à URSS para ser operado a um aneurisma da aorta. Cunhal é recebido em Moscovo por Mikhail Gorbatchov e recebe a ordem Lenine.
1992: No XIV Congresso do PCP, Carlos Carvalhas é eleito secretário-geral, Álvaro Cunhal passa a presidente do Conselho Nacional do PCP.
1994: No Hotel Altis lança o romance Estrela de Seis Pontas e assume que é Manuel Tiago, pseudónimo literário com que assinou na clandestinidade o romance Até Amanhã, Camaradas e o conto Cinco Dias, Cinco Noites.
1996: XV Congresso do PCP. O Conselho Nacional é extinto. Cunhal passa a ter assento apenas no Comité Central.
1997: Cunhal lança um novo romance, A Casa de Eulália baseada na sua experiência na Guerra Civil de Espanha.
2000: Em Setembro, Cunhal é operado a um glaucoma, a operação corre mal e perde a visão do olho direito. A 8, 9 e 10 de Dezembro, o XVI Congresso realiza-se em Lisboa e, pela primeira vez desde o 25 de Abril, Cunhal está ausente de uma reunião magna por motivos de saúde.
2001: Cunhal reaparece em público para votar nas eleições presidenciais de 14 de Janeiro. Depois de votar, declara aos jornalistas: "Estou nitidamente melhor."
2004: Nas eleições europeias, a 13 de Junho, Álvaro Cunhal, pela primeira vez em 30 anos de democracia, não vota.
2005: O Comité Central noticia a morte de Álvaro Cunhal, às 5h e 54, do dia 13 de Junho.
Os desenhos conhecidos de Álvaro Cunhal são os "Desenhos da Prisão", publicados em álbum, em Dezembro de 1975, pela Editorial Avante!. Esta publicação foi uma iniciativa do PCP e teve como objectivo a recolha de fundos.
Os desenhos são feitos a lápis sobre papel e foram executados entre 1951 e 1959, numa cela da Penitenciária de Lisboa, onde passou oito anos em total isolamento, e no Forte de Peniche, de onde se evadiu em Janeiro de 1960.
Durante cerca de dois anos (1949-1951) não teve acesso a qualquer material de escrita ou de desenho, mas em 1951 passou a ser autorizado a receber papel e lápis. Para efeitos de controle, o papel era numerado folha a folha e assinado pelo chefe dos guardas da Penitenciária de Lisboa - Lino -, pelo que há alguns desenhos em que se pode ver uma assinatura, que não é do autor dos desenhos, mas do tal Lino.
Os desenhos de Álvaro Cunhal integram a corrente estética neo-realista. "Se não fossem um capítulo sem continuidade, constituiriam um dos mais interessantes casos do neo-realismo português" (João Pinharanda, 1991).
Óleo sobre madeira
Óleo sobre madeira

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Julio Romero de Torres






JULIO ROMERO DE TORRES

1874-1930

O Pintor da Alma Espanhola





Julio Romero de Torres, nasceu a 9 de Novembro de 1874 e morreu a 10 de Maio de 1930. Nasceu e morreu em Córdoba, Espanha, onde passou grande parte de sua vida.
Filho do também pintor Rafael Romero Barros, director do Museu de Belas Artes de Córdoba, começou sua aprendizagem às ordens de seu pai na Escola de Belas Artes de Córdoba com apenas 10 anos de idade. Graças ao seu afã por aprender, viveu intensamente a vida cultural cordobesa de finais do século XIX e conheceu já desde muito jovem todos os movimentos artísticos dominantes dessa época.
Julio Romero de Torres participou com intensidade em todos os acontecimentos artísticos de Córdoba e Espanha. Já no ano 1895 participou na Nacional em Madrid onde recebeu uma menção honorífica. Também participou nas edições de 1899 e 1904, onde foi premiado com a terceira medalha. Nesta época iniciou a sua experiência docente na Escola de Belas Artes de Córdoba.
Em 1906, vai para Madrid, viajando depois por toda a Itália, França, Inglaterra e os Países Baixos.
Em 1907 obteve a sua primeira medalha com o quadro “Musa gitana”.
Em 1911, recebe o primeiro prémio na Exposição de Barcelona com o “Retablo de amor”.
Em 1922 Julio Romero de Torres viaja para a Argentina acompanhado de seu irmão Enrique, expõe em Buenos Aires, onde obtém um sucesso sem precedentes.
Foi membro da Real Academia de Córdoba e da Academia de Belas Artes de San Fernando.
Também exibiu a sua obra na Exposição Ibérico americana de Sevilha em 1929, e em múltiplas exposições individuais tanto em Espanha como no estrangeiro.
Em princípios de 1930, Julio Romero de Torres, esgotado pelo excesso de trabalho e afectado por uma doença hepática, voltou a Córdoba, sua cidade natal, a fim de se tratar e recuperar forças.
Pinta no seu estúdio da Praça do Potro, entre os meses de Janeiro e Fevereiro aquela que seria a sua obra final e mais conhecida, “La chiquita Piconera”.
A 10 de Maio de 1930 Julio Romero de Torres morre em sua casa na Praça do Potro em Córdoba, facto que emocionou toda a cidade. As manifestações de dor que produziu a sua morte, onde participaram em massa desde as classes trabalhadoras mais humildes até a aristocracia cordobesa, deixaram bem patente a imensa popularidade de que gozava o pintor “cordobés”.
Julio Romero de Torres no seu estúdio
Monumento a Julio Romero de Torres, Córdoba - Espanha
Museu Julio Romero de Torres
Visita virtual ao Museu

terça-feira, 8 de junho de 2010

Jean-Baptiste Siméon Chardin







JEAN-BAPTISTE SIMÉON CHARDIN


1699-1779







Chardin foi o menos pomposo dos pintores franceses do século XVIII, mas é citado com frequência, com Watteau, como o maior. Admiradores posteriores das suas cenas domésticas foram Gourbet, Van Gogh e Cézanne.
Não há qualquer sugestão da alegria rococó nos quadros de Chardin, apesar da exuberância manifestada por outros artistas do seu tempo, como Boucher e Lancret.
Começou por produzir naturezas-mortas de animais e frutos, depois foi a vez do período de género (o termo pintura de género faz referência às representações da vida quotidiana, do mundo do trabalho e dos espaços domésticos, que caracterizaram a pintura holandesa do século XVII).
Durante oito anos, as actividades do lar pequeno burguês do próprio Chardin foram o seu centro de atenção, abrindo caminho para as paredes dos ricos apreciadores de arte de toda a Europa.
Chardin tinha um instinto que lhe dizia o momento exacto em que um olhar ou um gesto podiam ser cristalizados para a posteridade. A par deste dom, tinha desenvolvido uma técnica especial, usando camadas espessas de pigmento e vernizes finos e brilhantes para produzir exactamente as texturas e os jogos de luzes certos. A maneira como Chardin tratava os valores tonais era bastante impressionante, o escritor Diderot chamou-lhe «o grande feiticeiro», porque as suas pinturas ofereciam muito mais que isso. Sem sermões ou falsos sentimentos, ele expõe uma percepção íntima para além das aparências exteriores.

Jean-Baptiste Siméon Chardin nasce em Paris em 1699, filho de um fabricante de armários.
Ainda muito novo começa a trabalhar como restaurador e em 1724 é aceite na Academia de São Lucas.
1728, é descoberto por Nicolas de Largillière no “Salon de Jeunesse”
1731, casa-se com Marguerite Saintard.
1735, morre a esposa e duas filhas.
1740, é apresentado a Luís XV.
1744, casa-se com Françoise-Marguerite Pouget.
1761, é oficialmente encarregado de pendurar os quadros no “Salon de Paris”.
1767, morre o filho Pierre-Jean.
Em 1779 Chardin morre na terra onde nasceu Paris.


Para ver a obra completa deste notável artista, clique aqui

Fonte: 100 Grandes Artistas (Círculo Leitores)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Barrancos "Forever"


Esta fotografia foi tirada algures em Itália, e é uma prova de que em Portugal ainda há coisas de que nos devemos orgulhar.
Obrigada Barrancos, és único!

domingo, 30 de maio de 2010

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Antonio López García



Antonio López García



1936




Antonio López García nasceu em 1936 em Tomelloso, Ciudad Real. Seus pais eram lavradores abastados e ele, era o mais velho de quatro irmãos. Não continuou com o ofício familiar, já que desde jovem demonstrou um grande talento para o desenho, pelo que seu tio Antonio López Torres, um pintor local de paisagens, o animou a dedicar-se a à pintura.
A primeira formação, recebeu-a de seu tio, e em 1949 instala-se em Madrid para preparar o ingresso na Escola de Belas Artes de San Fernando em Madrid. Ali estuda pintura entre 1950 e 1955, coincidindo com diversos artistas com quem formou um grupo realista.
Ao acabar os estudos viaja para Itália com uma bolsa do Ministério de Educação Nacional.
A sua actividade transcorre entre Tomelloso e Madrid até ao ano de 1960. Em 1961 casa-se com Maria Moreno, também pintora, e tem duas filhas, Maria e Carmen. Entre 1964 e 1969 dá aulas como professor encarregado da disciplina de Preparatorio de Colorido na Escola de Belas Artes de San Fernando.
O seu interesse pela solidez plástica e pelas composições precisas, faz com que se sinta atraído por Cézanne e pelo cubismo em temas relacionados com o seu meio familiar em Tomelloso. Por exemplo, Mujeres mirando los aviones (1954).
A obra de Salvador Dalí exerceu nele uma destacada influência, tomando o gosto pela realidade e o predomínio do desenho sobre a pintura. A partir de 1957, sua obra apresentará um certo ar surrealista.
Trabalha nesta linha do fantástico até 1964, um exemplo é Atocha, finalizada nesse mesmo ano.
Mas desde 1960, cada vez são menos os quadros em que recorre a esses mecanismos, mostrando mais interesse pela fidelidade na representação. Sente predilecção pelos temas mais próximos, as cenas caseiras, as imagens de sua família, de sua mulher e suas duas filhas. Os objectos e os acontecimentos da vida quotidiana serão os protagonistas de seus quadros e tratá-los-á com um enorme detalhismo fotográfico. Em sua produção também abundam as vistas de Madrid e os elementos colhidos na própria natureza.
Alguns exemplos são Los novios, Taza de water y ventana, Cuarto de baño, Membrillos y granados, Madrid desde Torres Blancas o La Gran Vía.
Outras obras são Antonio y Carmen, Carmencita de comunión, Mari en Embajadores, La parra, La alacena, Casa de Antonio López Torres, Cuarto en Tomelloso, El jardín de atrás, Calle de Santa Rita, Madrid desde el Cerro del tío Pió, Madrid Sur e El campo del Moro.
Pinta com grande lentidão, de forma meditada, buscando a essência do objecto representado. Seus quadros desenvolvem-se ao longo de vários anos, retocando-os numa infinidade de ocasiões até que os considera definitivamente acabados.
Antonio López expressa assim a sua forma de pintar: "Uma obra nunca se acaba, somente se chega ao limite das próprias possibilidades" ou "Quando estás pintando por exemplo uma rua, o que estás vendo é tão extraordinariamente impressionante que a mim, custa-me muitíssimo, transportar para a tela uma parte do que vejo. Isso é o que me faz tardar tanto. Eu não posso resolver todo esse espectáculo com rapidez"
A sua obra abarca desde o pictórico até o escultórico. Suas esculturas são de grande realismo, como por exemplo Hombre y mujer.
Antonio López é um dos representantes do realismo contemporáneo español. Sua obra caracteriza-se por um sentido investigador da realidade e está considerado como o padre de la escuela hiperrealista madrileña. O seu estilo tem influenciado numerosos artistas como Toral ou Villaseñor.
No ano 1985 foi galardoado com o Prémio Príncipe de Astúrias e em Janeiro de 1993 foi nomeado membro da Real Academia de San Fernando.
O director de cinema Víctor Erice filmou em 1992 El sol del membrillo, nele se recolhe todo o processo criativo do artista enquanto pinta um marmeleiro no pátio de sua casa.
Fonte: http://www.arteespana.com/antoniolopezgarcia.htm
Almendro

Gran Via

Atocha

Escultura

Lavatório e espelho

Nevera

Membrillo
Veja mais obras deste artista em
 http://www.ciudadpintura.com/

Cena do Filme - El Sol del Membrillo

Diego Rivera






Diego de Rivera
1886-1957


Um Espírito Revolucionário
Na Arte Moderna






Como artista excepcional, político militante e contemporâneo excêntrico, Diego Rivera teve um papel primordial numa época muito importante no México. Tornou-se, embora polémico, o mais citado artista do continente hispano-americano no estrangeiro. Foi pintor, desenhador, artista gráfico, escultor, arquitecto, cenógrafo e um dos primeiros coleccionadores de arte mexicana pré-colonial. O seu nome está relacionado com os de Pablo Picasso, André Breton, Leo Trotski, Edward Weston, Tina Modotti e, como não podia deixar de ser, Frida Kahlo. Foi simultaneamente, alvo de ódio e amor, admiração e rejeição, lendas e difamação. O mito que, ainda em vida, se criou à volta da sua pessoa, não se deve somente à sua obra, mas também ao seu papel activo na vida política da sua época, às suas amizades e aos seus conflitos com personalidades famosas, à sua aparência fascinante e ao seu carácter rebelde.
Nas suas recordações, difundidas em diversas obras biográficas, Rivera contribuiu bastante para a criação do mito à sua volta. Gostava de se apresentar como menino precose de ascendência exótica, que combatera na Revolução mexicana como jovem rebelde, um visionário que se recusava a fazer parte da vanguarda europeia, e que estava predestinado para ser o cabecilha da revolução artística. A sua biógrafa, Gladys March, confirma, no entanto, que a sua vida real era muito mais banal e que Rivera tinha grandes dificuldades em separar a ficção da realidade:
Por conseguinte, a descrição da vida e obra deste artista fora de série, só pode ser vista como uma tentativa de aproximação.
José Diego Maria e o seu irmão gémeo José Carlos Maria nasceram em Guanajuato, capital do estado de Guanajuato, no México, no dia 8 ou no dia 13 de Dezembro de 1886 (as fontes indicam datas diferentes), como primeiros filhos do casal Diego Rivera e Maria del Pilar Barrientos. Os pais são ambos professores. O pai é de origem criola. O avô paterno, dono de uma das muitas minas de prata de Guanajauto, nasceu, segundo consta, na Rússia, e depois da sua emigração para o México, terá lutado lado a lado com o presidente mexicano Benito Juárez contra a intervenção imperialista da França.
A avó materna era, supostamente, de ascendência índia. Estas afirmações não puderam ser provadas até à data, no entanto demonstram os elementos da sua ascendência aos quais Rivera dava mais valor. Tinha orgulho no facto de poder ser considerado um verdadeiro mestiço, por causa da origem índia da avó, e de ter herdado do avô a herança revolucionária que viria a ser tão importante para si. O nascimento da irmã mais nova de Diego, María del Pilar, em 1891, representa um consolo para a família, depois da morte do irmão gémeo Carlos, falecido em 1888, com um ano e meio de idade. Após a morte do filho, Maria Barrientos começa a estudar medicina e a trabalhar como parteira.
As ideias radicais do jornal liberal “El Demócrata”, do qual o pai é co-editor, levam a um ambiente de hostilidade contra a família que acaba por se mudar para a cidade do México em 1892. O ditador Porfírio Diaz, que deteve quase ininterruptamente o poder como presidente do México desde 1876 até à Revolução, no ano de 1910, tenta oprimir qualquer movimento oposicionista. A reputação da família Rivera no seio da burguesia da cidade de província está arruinada, a riqueza proveniente das minas de prata acabou. Esperam encontrar uma situação melhor na capital.
Em 1894 María del Pillar, católica praticante, manda o seu filho Diego, a quem o pai ensinara a ler aos quatros anos, pela primeira vez para a escola, o colégio católico Carpantier. No final do ano de 1896, Diego aluno da terceira classe, recebe um prémio pelo seu bom aproveitamento e começa a frequentar as aulas nocturnas na Academia de San Carlos. Desde muito pequeno que Diego desenha com grande paixão, o jeito artístico irá ser desenvolvido nas aulas de desenho.
Seu pai obriga-o a inscrever-se numa escola militar, mas Diego deixa-a pouco depois, para em 1898 se inscrever no curso de arte na prestigiada Academia de San Carlos. A arte torna-se para ele o elemento mais importante da sua vida: Como mais tarde escreverá, ele vê a arte como uma função orgânica, que não só é útil ao homem, mas sim, que é imprescindível, como o pão, a água e o ar.
Em 1907, graças a uma bolsa, viaja de barco para Espanha e em 1908 viaja por Espanha. Na Primavera de 1909 vai até França, seguindo depois para a Bélgica e Inglaterra. Em Bruxelas conhece a pintora russa Angelina Beloff, que vai com ele para Paris e nos próximos doze anos será a sua companheira.
Em 1910 regressa ao México, expõe na Academia de San Carlos e vive a eclosão da revolução mexicana.
Em meados do 1911 volta a Paris e passa o Inverno desse ano na Catalunha.
Em 1912 instala-se com Angelina Beloff em Paris. No Verão passa algum tempo em Toledo. Começa a notar-se na sua obra a influência cubista.
Depois de ter executado os primeiros trabalhos em estilo cubista, expõe do “Salon d’Automne” em 1913.
Em 1914, Diego Rivera viaja para Mallorca, onde o surpreende o inicio da Primeira Guerra Mundial, e segue para Barcelona e Madrid.
No Verão de 1915, Rivera regressa a Paris e começa uma relação com a artista russa Marevna Vorobev-Stebelska.
Em Outubro de 1916, expõe na “Modern Gallery” em Nova Iorque. Nasce o filho Diego, fruto da relação com Angelina Beloff.
Em 1917 é-lhe oferecido um contrato pelo director da “Galerie L’Effort Moderne” Paris, Léonce Rosenberg. Na Primavera tem uma disputa com o crítico de arte Pierre Reverdy, da qual resulta o seu afastamento do cubismo e o seu regresso à pintura figurativa. Conhece o escritor de arte Elie Faure. No Inverno morre o seu filho Diego.
Em 1918 instala-se com Angelina Beloff num apartamento perto do Champ de Mars. A influência de Cézanne faz-se notar na sua obra.
Em 1919 encontra-se com David Alfaro Siqueiros e discute com ele a necessidade de mudança da arte mexicana. Nasce a sua filha Marika, fruto da sua relação com Marevna Vorobev-Stebelska.
Em 1920-1921 empreende uma viagem por Itália, onde executa numerosos estudos e esboços, seguidamente regressa a Paris e volta definitivamente para o México.
Em Janeiro de 1922, pinta o seu primeiro mural no anfiteatro Bolívar da “Escuela Nacional Preparatoria”. Casa-se com Guadalupe Marín. Em Setembro inicia o trabalho nos frescos da SEP “Secretaría de Educación Pública”.É co-fundador do sindicato dos pintores, escultores e gráficos revolucionários e torna-se membro do Partido Comunista do México.
Em 1924 nasce a sua filha Guadalupe.
Em começa com a elaboração dos frescos na Escuela Nacional de Agricultura em Chapingo, continuando, em simultâneo a trabalhar nos murais da SEP.
No Outono de 1927, é convidado para uma viagem à União Soviética para participar nos festejos por ocasião do décimo aniversário da Revolução de Outubro. Nasce a sua filha Ruth.
Em 1928, depois do seu regresso da União Soviética, separa-se de Guadalupe Marín. Termina os trabalhos na SEP e em Chapingo.
Em 1929 casa-se com Frida Kahlo. Pinta as paredes da escadaria do Palácio Nacional na cidade do México e executa murais para a Secretaria de “Salud”. O embaixador norte-americano no México encomenda-lhe um mural no Palácio de Cortés em Cuernavaca. É nomeado director da escola de belas artes da Academia de San Carlos, mas pouco depois é obrigado a demitir-se. É expulso do Partido Comunista, por não se distanciar claramente do Governo.
1930-1931, viaja para San Francisco, onde pinta um mural no Lucheon Club de San Francisco Pacific Stock Exchange e outro para a California School of Fine Arts. O novo Museum of Modern Art em Nova Iorque, convida-o para uma exposição. Em 1932 cria o cenário e os figurinos para o ballet Horse Power de Carlos Chávez. Inicia os trabalhos do Detroit Institute of Arts.
Em 1933, pinta um mural no Rockefeller Center em Nova Iorque. Um retrato de Lenine integrado no fresco, leva à interrupção dos trabalhos e mais tarde à destruição total da obra inacabada.
Em 1934 o mural planeado para o Rockefeller Center é realizado numa nova versão, no Palácio de Belas Artes na Cidade do México.
Em 1936 termina os murais na escadaria do Palácio Nacional, por acabar desde 1930.
Em 1936, pinta quatro frescos para o Bar Ciro’s no Hotel Reforma, nos quais ataca personalidades políticas do México. Em consequência disso, os frescos são retirados do local.
Em 1938, recebe Leo Trotski e a sua esposa Natalia Sedova na “casa azul” de Frida.Kahlo.
Em 1938, André Breton e sua mulher Jacqueline Lamba moram em casa de Rivera, durante a estadia de ambos no México.
Em 1939, depois de desavenças, corta relações com Trotski e divorcia-se de Frida Kahlo.
Em 1940 viaja para San Francisco, para pintar dez quadros para a Golden Gate International Exposition. No final do ano, casa-se pela segunda vez com Frida Kahlo, em San Francisco.
Em 1941-1942, trabalha principalmente no cavalete. Recebe autorização para pintar os frescos no primeiro andar do pátio do Palácio Nacional. Começa com a construção do «Anahuacalli» (casa do México), para guardar a sua colecção de objectos pré-coloniais.
Em 1943, pinta dois murais para o Instituto Nacional de Cardiologia. Torna-se membro do Colégio Nacional e dá uma série de conferências sobre arte, ciência e política. É nomeado professor na Escola de Belas Artes “La Esmeralda”.
Em 1946 emcomendam-lhe um grande mural para o novo Hotel del Prado.
Em 1947, juntamente com José Clemente Orozco e David Alfaro Siqueiros, forma a comissão de pintura mural do Instituto Nacional de Belas Artes (INBA).
Em 1949 o INBA organiza uma exposição completa, por ocasião dos cinquenta anos de carreira artística de Rivera.
Em 1950, ilustra a edição limitada do Canto General de Pablo Neruda e cria o cenário para a peça de teatro de José Revueltas El Cuadrante de la Soledad. Representa o México, juntamente com Siqueiros, Orozco e Tamayo,  na bienal de Veneza. Recebe o Prémio Nacional de Artes Plásticas.
Em 1951 executa um mural em polietileno no depósito de água do «Cárcamo del rio Lerma» no Parque Chapultepec, na Cidade do México.
Em 1952, pinta um mural transportável para a exposição «Vinte séculos de arte mexicana», que deverá ser enviado para a Europa no âmbito da exposição. A obra é excluída do evento, devido aos retratos de Estaline e Mao Tsé-Tung aí incluídos, e acaba por ser doada à República Popular da China.
Em 1953 cria um mural de mosaico vítreo para a fachada do Teatro de los Insurgentes. Acaba igualmente os trabalhos na parede frontal do Estádio Olímpico no Campus da Universidade de México. Executa também um mural no Hospital La-Raza do Instituto Mexicano del Seguro Social (IMSS).
Em 1954, participa juntamente com Frida Kahlo, na manifestação de solidariedade para com o Governo de Jacobo Arbenz na Guatemala. Frida Kahlo morre em Julho. Em Setembro, o Partido Comunista do México aceita o pedido de reintegração de Rivera, depois de várias tentativas da parte do artista.
Em 1955 casa-se em Julho com Emma Hurtado. Faz doação ao povo mexicano da «casa azul» de Frida Kahlo, do «Anahuacalli» e da colecção de objectos pré-hispânicos que esta contém. No final do ano viaja para a União Soviética, a fim de se submeter a tratamentos médicos.
No dia 24 de Novembro de 1957, Diego Ribera morre na Cidade do México. É sepultado na Rotunda de los Hombres Ilustres, no Panteón Civil de Dolores. As suas cinzas não são como era seu último desejo, juntas às de Frida Kahlo na «casa azul».
Paisagem Zapatista - O Guerrilheiro, 1915
Óleo sobre tela, 144 x 123 cm
Museo Nacional de Arte - Cidade do México
Marinero Almorzando, 1914
Óleo sobre tela 117 x 72 cm
Museo Casa Diego Rivera, Guanajuato
Maternidad - Angelina Beloff y el Niño Diego, 1916
Óleo sobre tela, 132 x 86 cm
Museo de Arte Alvar y Carmen, Cidade do México
do ciclo: Visão política do povo mexicano
El Pintor, el Escultor y el Arquitecto, 1923-1928
1 dos 235 murais, área total pintada 1.585,14 m2
Escadaria e segundo andar da Secretaría de Educación Pública, Cidade do México

Retrato de Guadalupe Marín, 1938
Óleo sobre tela, 171,3 x 122,3 cm
Museo de Arte Moderno, Cidade do México

Desnudo con Alcatraces, 1944
Óleo sobre fibra dura 157 x 124 cm
Colecção Emilia Gussy de Gálvez, Cidade do México

La Era, 1904
Óleo sobre tela, 100 x 114.6 cm
Museo Casa Diego Rivera, Guanajuato

Las Tentaciones de San Antonio, 1947
Óleo sobre tela, 90 c 110 cm
Museo Nacional de Arte, Cidade do México

Fonte: RIVERA, de Andrea Kettenmann (TASCHEN)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Joaquin Sorolla







JOAQUIN SOROLLA BASTIDA


    1863-1923






Joaquin Sorolla y Bastida nasceu em Valência, na Rua Mantas, nº. 4, a 28 de Fevereiro de 1963, e faleceu em Cercedilla (Madrid a 10 de Agosto de 1923.
Filho de Joaquin Sorolla e de Concepción Bastida, fica órfão em 1865 (seus pais morrem de cólera), e é acolhido por seus tios maternos.
Começa os seus estudos em desenho, na escola de artesãos de Valência, matriculando-se ao mesmo tempo na Escola Superior de Belas Artes de “San Carlos”, com a intenção de dedicar-se à pintura.
Em 1880 consegue uma medalha de prata pela sua obra “Moro acechando la ocasión de su venganza”, na exposição da Sociedade “El Iris”.
Em 1883 consegue a medalha de ouro na Exposição Regional de Valência, com a obra “Monja de Oración”.
Em 1884 recebe da Governação de Valência um subsídio, para viajar até Roma.
Em 1885 segue para Roma, visitando também a cidade de Paris.
Em Roma nos anos de 1886 e 1887, pinta "El padre Jofré protegiendo a un loco" e "El entierro de Cristo", destinado à Exposição Nacional de Madrid.
Em 1888, casa com Clotilde Garcia, filha do seu protector, e instala-se na cidade italiana de Asís.
Em 1889 terminado o subsídio, regressa a Valência onde se relaciona com o Partido Republicano e com Vicente Blasco Ibañez, mudando-se seguidamente para Madrid. São desta época as pinturas com uma certa carga social como “Outra Margarita”, “Trata de Blancas”, Aún dicen que el pescado es caro”, e “Triste Herencia”.

"Otra Margarita"
"Triste Herencia"
Em 1889 nasce sua filha Maria, em 1892 seu filho Joaquim e em 1895 sua filha Elena.
Em 1900 ganha a medalha de honra na Exposição Universal de Paris e começa a relacionar-se com pintores de renome internacional. Expõe em salões e exposições na Europa, bem como em galerias de arte a fim de conseguir exposições individuais.
Em 1906 expõe individualmente na Galeria Georges Petit em Paris, obtendo um estrondoso êxito, tanto artístico como económico. Posteriormente, expõe em Inglaterra e na Alemanha, mas sem sucesso. Nos Estados Unidos, faz uma serie de exposições, todas com enorme êxito, onde alcançou fama internacional e consolidou a sua fortuna pessoal.
Em geral o que mais impressionou o público norte-americano, foi a sua peculiar maneira de interpretar os efeitos da luz, usando essa técnica para transmitir às suas obras um sentido de optimismo, confiança e vitalidade.
Joaquin Sorolla, foi sem dúvida o pintor da luz.
Morreu a 10 de Agosto de 1923 devido a um ataque de hemiplegia (paralisia cerebral).


segunda-feira, 24 de maio de 2010

Amedeo Modigliani





Amedeo Modigliani
1884 – 1920


A poesia do Olhar







Amedeo Modigliani, um nome com ressonância melódica, que poderia ser perfeito para um personagem de romance, poético e trágico. Além disso, este nome sensual nem sequer é um pseudónimo. Amedeo Modigliani é o nome do pintor, que como nenhum outro dos tempos modernos foi objecto de tantas lendas, mitos e clichés. Sobre ele escreveram-se romances, peças de teatros, filmes e a crítica de arte está igualmente repleta de episódios glorificantes. Modigliani representa o protótipo do artista que executa a sua obra nos estúdios sórdidos de Montmartre e de Montparnasse, afundado em álcool, haxixe, amor e poesia. Modigliani nunca conheceu o êxito e foi tão pobre que só conseguia pagar as contas com os retratos de clientes esboçados à pressa.

Dados biográficos
A 12 de Julho de 1884 em Livorno na Toscana, nasceu Amedeo Clemente Modigliani, o mais novo dos quatros filhos de Flaminio e de Eugenia Modigliani. A família pertence à burguesia judaica mais secularizada e, na altura do nascimento de Modigliani, encontra-se numa situação financeira precária. Devido a uma crise económica em Itália, a empresa da família abre falência e para ajudar às despesas da casa a mãe de Modigliani começa a dar lições particulares e a aceitar traduções. Modigliani cresce num ambiente com interesses literários e filosóficos.
Em 1898 Modigliani contrai a febre tifóide e o seu destino de artista é-lhe revelado num mítico sonho delirante. Depois de restabelecido, abandona a escola e recebe lições do pintor Guglielmo Micheli na Academia de Arte de Livorno. O seu irmão Emanuele, que viria a ser mais tarde um famoso membro do Partido Socialista Italiano, é mandado para a prisão durante seis meses devido às suas actividades políticas.
No ano de 1900 Modigliani fica tuberculoso e passa o inverno de 1900 e 1901 em Nápoles, em Capri e em Roma. Entre os poucos documentos escritos que chegaram até nós contam-se as cinco cartas que escreveu durante este período de convalescença e estudo ao seu amigo o artista Oscar Chiglia.
No dia 7 de Maio de 1902, Modigliani inscreve-se na “Scuola Libera di Nudo” em Florença e tem aulas com Giovanni Fattori. Visita os museus e as igrejas de Florença e estuda a arte do Renascimento.
Em 1903, Modigliani acompanha o seu amigo Oscar Chihlia a Veneza, onde permanece até se mudar para Paris. A 19 de Março, matricula-se no “Istituto di Belle Arti di Venezia” e nas aulas de modelo vivo. Nos museus e igrejas de Veneza, dedica-se intensamente ao estudo da arte dos antigos mestres. Nas Bienais de 1903 e de 1905, vê as obras dos Impressionistas franceses, esculturas de Rodin e pinturas que se inserem na corrente do Simbolismo. Em Veneza, Modigliani conhece os “prazeres do hexixe”. Existem muito poucas obras deste período de estudos de Modigliani em Itália.
No inicio do ano de 1906, Modigliani vai para Paris. Instala-se num pequeno estúdio em Montmartre e frequenta aulas de modelo vivo na “Académie Calarossi”. Conhece Maurice Utrillo, fr quem ficará amigo toda a vida. No Outono trava conhecimento com o pintor alemão Ludwig Meidner, que o descreve como «o último boémio autêntico».
Em 1907, o pintor Henri Doucet leva Modigliani para a casa da Rue de Delta, que o jovem médico Paul Alexandre e o irmão tinham alugado para apoiar jovens artistas. Alexandre é o primeiro patrono de Modigliani. Compra-lhe quadros e desenhos e arranja-lhe encomendas de retratos. Modigliani está provavelmente representado com algumas obras no “Salon d’Automne. Visita a retrospectiva de Cézanne, que o impressiona profundamente. Os seus quadros revelam uma forte influência dos modelos Simbolistas e dos quadros de Toulouse-Lautrec e de Edvard Munch.
1908, Modigliani expõe seis quadros no “Salon des Indépendants”. Apesar da saúde débil, participa na vida sensual e dissoluta dos artistas de Montmartre. Muda de casa várias vezes. Modigliani passa o verão de 1909 em Itália com a família, onde «recupera a saúde e a roupa», como escreve numa carta a Paul Alexandre. É provavelmente neste ano que Modigliani inicia a escultura em pedra, que durante algum tempo terá prioridade em relação à pintura.
No ano de 1911, Modigliani expõe no “Salon des Indépendants”. Torna-se amigo do escritor Max Jacob e tem uma ligação sentimental com a poetisa russa Anna Achmatova.
Em 1911, Modigliani expõe as suas esculturas de pedra arcaizantes, a que dá o nome de “colunas de ternura”, no estúdio do artista português Amadeu de Sousa Cardoso.
Na Primavera de 1913, Modigliani passa algum tempo em Livorno. Instala-se perto de uma pedreira na Toscana. Numa carta, informa Paul Alexandre de que está a esculpir em mármore e que vai enviar as peças acabadas para Paris. As estátuas de mármore de Modigliani nunca foram encontradas.
Em 1914, através de Max Jacob, Modigliani conhece o negociante de arte Paul Guillaume, que nos anos seguintes lhe dará apoio. Em Junho conhece a excêntrica jornalista inglesa, Beatrice Hastings, com a qual tem uma tempestuosa ligação amorosa, que dura dois anos, durante esse período ela foi o modelo preferido dos seus retratos. Quando rebenta a guerra, Modigliani fica isento do serviço militar por motivos de saúde. Paul Alexandre (seu patrono), é alistado para a guerra, pondo termo ao contacto entre ambos. Alexandre, possui uma colecção de cerca de 400 desenhos de Modigliani, que só são dados a conhecer a público em 1990.
Modigliani recomeça a pintar e durante o resto da vida dedicar-se-á quase exclusivamente ao retrato.
Em 1915, Modigliani pinta um retrato de Picasso, muda-se para o apartamento de Beatrice Hastings, na Rue Norvain em Montmartre.
Em 1916, depois de romper com Beatrice Hastings, Modigliani abandona o apartamento que ambos partilhavam e começa a pintar no apartamento de Zborovski, na Rue Joseph Bara.
Em Abril de 1917, Modigliani conhece uma jovem de dezanove anos, Jeanne Hébuterne, que estuda na “Académie Calarossi”, e mudam-se ambos para um apartamento na Rue de la Grande Chaumière. A 3 de Dezembro, é inaugurada a sua primeira exposição individual na Galeria de Berthe Weill, mas infelizmente a exposição é forçada a encerrar durante a inauguração porque os seus nus são considerados escabrosos.

Em 1918, dada a ameaça de invasão pelas tropas alemãs, Modigliani e Jeanne abandonam Paris na Primavera e instalam-se na costa mediterrânica. Em Nice e nos seus arredores, na luminosidade da “Côte d’azur”, Modigliani pinta muitos retratos que manda para Paris para serem vendidos por Zborovski, quadros esses que viriam a ser mais tarde, as suas obras mais populares e mais cotadas. A 29 de Novembro em Nice, Jeanne dá à luz uma rapariga, que é reconhecida por Modigliani como sua filha, rebecendo o mesmo nome de baptismo da mãe.
Em finais de Maio de 1919, Modigliani regressa a Paris. Em Julho, assina um documento em que se compromete a casar com Jeanne, outra vez grávida. No fim do ano adoece gravemente com tuberculose e é cancelada uma viagem que havia projectado a Itália.
Modigliani morre a 24 de Janeiro de 1920 no “Charité de Paris, com apenas 35 anos de idade. No dia seguinte, Jeanne Hébuterne suicida-se. Uma grande multidão assiste ao funeral de ambos no cemitério de Père Lachaise. A filha Jeanne é adoptada pela irmã de Modigliani, residente em Florença, e escreve mais tarde uma importante biografia de seu pai.
Para ver vida e obra completa clique aqui

Fonte: Modigliani de Doris Krystof, da TASCHEN

Datura Arborea


Angel's Trumpet
Óleo sobre tela - 50 x 60 cm - Ano 2005

sexta-feira, 21 de maio de 2010