sábado, 18 de setembro de 2010

Andrea Mantegna






Andrea Mantegna
1431-1506

Pintor de frescos austeros que no fim da vida pintou obras mais amenas






Andrea Mantegna nasceu, filho de um carpinteiro de Isola di Carturo, aldeia da planície veneziana, cerca de 1431. Quando tinha dez anos, foi levado para Pádua, ao professor Francesco Squarcione, que o juntou aos seus pensionistas e o tomou como seu filho adoptivo na guilda de pintores de Pádua. Andrea surgiu subitamente como prodígio em Pádua, onde as ideias humanistas para ali levadas por artistas toscanos, especialmente Donatello, se sobrepunham aos últimos vestígios do estilo gótico internacional. Além disso, existia uma moda crescente de aprendizagem arqueológica encorajada pela Universidade de Pádua. Em breve (1448), Mantegna foi encarregado de pintar alguns dos frescos da Capella Ovetari, na Igreja dos Eremitani, e a sua obra acabou por dominar o conjunto total. Exceptuando O Martírio de S. Cristóvão, estes frescos foram destruídos na segunda guerra mundial.
Tendo-se libertado com dificuldade da sua associação com Squarcione, voltou-se para a família Belleni, casando com uma filha de Jacopo, Niccolosa, em 1454.
O impressionante poder de Mantegna em efeitos de profundidade e o seu humanismo doutrinário foram gradualmente enriquecidos com subtis vibrações de cores. O grande retábulo de S Zeno, em Verona (1457-59), tornou-se modelo para todos os pintores italianos do Norte de Itália que ansiavam por renovação.
Tendo admirado longamente os frescos de Piero della Francesca em Ferrara, Mantegna chegou em 1460 a Mântua, à corte do marquês Ludovico Gonzaga. Aqui continuou as suas tentativas, alargando a sua experiência em viagens à Toscana e a Roma.
Foi durante este período em Mântua que Mantegna decorou a Camera Picta chamada posteriormente Camera degli Sposi, com frescos que constituem as suas maiores obras-primas. Foram terminados em 1474. Baseados na sua completa cultura e a sua cor tão refinada, que em obras menores se desenvolve em gradações de tons delicadíssimos.
Camera degli Sposi (vista geral)

Camera degli Sposi (tecto)

Camera Degli Sposi (detalhe)

Camera degli Sposi (detalhe)

Outro grupo de trabalhos impressionantes, no qual nos dá uma prova cabal das suas capacidades de reconstruir o mundo antigo, são os desenhos de O Triunfo de César. Destinados originalmente à decoração de um teatro no Palazzo Gonzaga, encontram-se presentemente em Hampton Court, Londres na Colecção Real.

O Triunfo de César, 1490 (detalhe)
Total da obra, 267 x 278 cm

Os favores dos senhores de Mântua não eram suficientes para mitigar as dificuldades financeiras de Mantegna nos seus últimos anos. Além de obras espectaculares, tais como as pinturas alegóricas para o «pequeno estudo» de Isabella d’Este e A Virgem da Vitória, começou a pintar telas íntimas, elaboradas com grande esmero. Nestas, o artista parece tornar a descobrir as sensações secretas que se encontravam escondidas sob a indiferença heróica do seu estilo emotivo. De facto, Mantegna sempre abrigou um profundo sentido do patético, que nos é comunicado através da sua maneira severa de se exprimir. A lição que deixou foi uma das mais frutuosas e todos os pintores do Norte de Itália lhe são devedores pelas suas revelações, que, finalmente, libertaram a região das últimas algemas do estilo gótico internacional.
Morreu em Mântua, a 13 de Setembro de 1506.

Fonte: Enciclopédia Ilustrada de Pintura, Desenho e Escultura – Grolier, Lda. 7ª. Edição - 1979
Cristo Morto, 1490
Têmpera sobre tela, 68 x 81 cm
Pinacoteca di Brera, Milão

O Martírio de S. Sebastião, 1459
Óleo sobre tela, 213 x 95 cm
Veneza

A Ascensão, 1468
Têmpera sobre Madeira, 86 x 162 cm
Galeria Uffizi, Florença

Sansão e Dalila, 1500
Têmpera sobre tela, 36,8 x 47 cm
National Gallery, Londres

Virgem da Vitória
Museu do Louvre, Paris

(Élie Faure disse um dia que os pintores primitivos punham sempre nas suas obras tudo quanto sabiam. Na sua pintura, Mantegna não pôs só tudo quanto sabia, pôs também o que definitivamente era: um homem inteiro na sua dureza e na sua sensibilidade, como uma pedra que fosse capaz de chorar.)
José Saramago- 2010

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