sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Bartolomé Esteban Murillo






Bartolomé Esteban Murillo
1617-1682

Pintor a quem chamaram o Rafael e o Van Dyck da arte espanhola







No fim de 1617, em Sevilha, onde Diogo Velázquez e Francisco de Zurbarán tinham precisamente acabado a sua aprendizagem, nasceu Bartolomé Esteban Murillo. O pai, Gaspar Esteban Murillo, e a mãe, Maria Pérez, baptizaram-no no dia de Ano Novo de 1618. Morreram quando Bartolomé tinha dez anos de idade, deixando-o ao cuidado de um tio, em cuja casa, pela primeira vez, se entregou à pintura e expandiu o seu talento. Pintou quadros religiosos e aguarela ou têmpera em telas finas, que era sempre possível vender para as feiras de Sevilha ou exportar para as colónias espanholas da América do Sul. Este pequeno negócio continuou até que o tio o pôs como discípulo do pintor Juan del Castilho, outro parente e também mestre de Alonso Cano. Murillo aprendeu tanto a teoria como a prática do desenho e da pintura. Quando Castilho se mudou para Cádis, Murillo ficou sòzinho dando satisfação às encomendas de temas populares que lhe faziam os negociantes de quadros.
Em 26 de Fevereiro de 1645, na Igreja de Santa Maria Madalena, em Sevilha, onde fora baptizado, Murillo casou com Doña Beatriz de Cabrera, que possuía algumas terras na cidade de Pilas, onde nascera. Em 1645-46, um Murillo já com responsabilidades de família fez a sua primeira obra séria e famosa – onze quadros para o pequeno claustro do Convento de S. Francisco, em Sevilha.
Murillo ansiava viajar, mas era demasiado orgulhoso para pedir dinheiro emprestado à mulher para tal fim. Em vez disso, comprou uma grande tela e cortou-a em pedaços, usando estes para uma série de pinturas sagradas em miniatura que vendeu a um exportador para as Índias Ocidentais. Com tal produção em massa, nesta fase da sua obra, Murillo arriscou-se a prejudicar o estilo rico que começara a atingir. É duvidoso que alguma vez tivesse ido além de Madrid, porque custava-lhe afastar-se da sua obra.
Murillo conseguiu afirmar a sua oficina de Sevilha como factor importante do mundo artístico da época. Choveram encomendas e ele aceitou muitos discípulos, a quem ensinou com a gentileza própria tanto do seu carácter como da sua obra.
O realismo das suas virgens, dos rapazes da rua, dos vendedores ambulantes, dos retratos e santos – as suas Virgens eram jovens andaluzas e as figuras do Santo Isidro e S. Leandro, de 1655, na Catedral de Sevilha, são maiores que os retratos em tamanho natural de dois estudantes – é suavizado pela atmosfera de encanto, graciosidade e ternura com que o autor o rodeia.
No auge do seu virtuosismo, o realismo degenerou por vezes em mero sentimentalismo, mas é aquele, ainda assim, o elemento que dá unidade à sua vasta obra. Nos quadros de Ribera, aprendera a dar forma aos temas pela perfeita distribuição da luz e da sombra, mas as suas formas não têm a força das de Zurbarán. A luz de Murillo é quente, mas as suas sombras são frias. O seu colorido, inspirado nos coloridos flamengo e veneziano, é delicado e subtil.
O último testemunho da índole comedida de Murillo foi o projecto da criação de uma academia pública de desenho em Sevilha. Durante a campanha persistente a que teve de entregar-se para persuadir os artistas da cidade a ajudá-lo a custear as despesas de tal escola, lutou contra o ciúme profissional e o mau carácter de Juan de Valdés Leal e de Francisco Herrera, que era mais novo. Por fim conseguiu realizar a primeira sessão do edifício municipal, em 11 de Janeiro de 1660. Ele e Herrera repartiram entre si as responsabilidades da direcção e Vasdés Leal foi eleito tesoureiro. Murillo deu lições públicas de desenho de anatomia humana, servindo-se de um modelo nu, criando assim um precedente em Sevilha.
Em 1662, solicitou a sua admissão como membro da Confraria de La Caridad, sociedade de Sevilha que fora criada cento e cinquenta anos antes, com o fim de auxiliar os pobres e enterrar os mortos. Foi admitido em 1665, depois de um longo inquérito, e encarregado mais tarde, juntamente com Valdés Leal, de decorar a igreja daquela confraria, que fora reconstruída havia pouco tempo.
Quando exibiram em Madrid, no dia da festa de Cristo-Rei, em 1670, a Imaculada Conceição, de sua autoria, o rei convidou-o a visitar a corte, mas ele recusou apresentando como desculpa a idade.
Doze anos mais tarde, quando em Cádis, pintava o enorme Casamento Místico de Santa Catarina, para o altar do Convento dos Capuchinhos daquela cidade, Murillo escorregou e caiu do andaime, ficando ferido. Teve de regressar a Sevilha, e ali ficou um ou dois meses, doente e aparentemente um pouco doido. Ia frequentemente à Igreja de Santa Cruz, que ficava próximo, e orava diante de um quadro que representava a descida da Cruz. Quando o sacristão lhe perguntou porque passava ali tanto tempo, respondeu que estava à espera que os santos homens acabassem de descer Cristo da Cruz. Morreu no dia 13 de Abril de 1682, sendo sepultado na capela onde este quadro se encontra. Deixou a grande fortuna que possuía aos seus dois filhos, Gabriel, que era padre na América, e Gaspar, pintor e cónego em Sevilha.
Embora Murillo nunca tivesse deixado a Espanha, era tal e tão constante a procura dos seus quadros pelo comércio estrangeiro que Carlos IV proibiu os empregados da alfândega espanhola de os deixar sair do país, mas nem com esta medida conseguiu fazer travar a corrente. Na escola de Sevilha, a influência da sua obra, autêntica ou desfigurada, predominou durante século e meio.

A Adoração dos Pastores1650-1655
Óleo sobre madeira, 228 x 187 cm
Museo del Prado, Madrid, Espanha

Rapazes Comendo Fruta. 1650
Óleo sobre tela
Alte Pinakothek, Munich, Germany

Assunção de Nossa Senhora, 1670-1680
Óleo sobre tela
Hermitage, St. Petersburg, Russia

A Menina e a sua Criada, 1670
Óleo sobre tela, 127 x 106 cm
National Gallery of Art, Washington, DC, United States

A Imaculada Conceição, 1678
Óleo sobre tela, 190 x 274 cm
Museo del Prado, Madrid, Espanha
Maria e o Menino com os Anjos Tocando Música, 1675
Óleo sobre tela, 105,5 x 137 cm
Museum of Fine Arts, Budapeste, Hungria

A Jovem Vendedora de Fruta, 1670-1675
Óleo sobre tela, 113 x 149 cm
Alte Pinakothek, Munich, Germany

A Jovem Vendedora de Flores
Óleo sobre tela, 98,7 x 121,30 cm
Colecção Particular

O Jovem Pedinte, 1645
Óleo sobre madeira, 100 x 134 cm
Museu do Louvre, Paris, França

Virgen de la servilleta, 1666
Óleo sobre tela, 68 x 72 cm
Museo de Bellas Artes, Sevilla.

Esta Virgem com o menino, foi realizada por Murillo para o retábulo do Convento dos Capuchinhos de Sevilha. Diz a lenda, que um irmão do convento se deu conta que faltava um guardanapo (servilleta em español), e Murilho devolveu-o com a imagem da Virgem e do Menino pintada. Outra versão diz que murillo pintou esta obra como agradecimento pelo bom acolhimento que teve, durante o tempo que trabalhou no convento.
A lenda forjada durante o Romantismo deu o nome ao quadro desde o século XIX, quando os quadros de Murillo se encontravam altamente valorizados, mas a obra na realidade está pintada sobre tela.
Influenciado pelas correntes tenebristas do barroco italiano de Caravaggio, as figuras eram mostradas sobre um fundo escuro, no entanto, nesta obra utiliza-se um fundo neutro, de modo a não distrair a nossa atenção, a afabilidade e humildade com que são apresentadas as personagens tornam mais íntima a pintura, vestem de forma simples, a sua beleza é natural e tipicamente sevilhana, não levam o típico halo sagrado, mas as figuras envolta de luz ressaltam como se nos encontrássemos perante uma visão celestial.

 Fonte: Enciclopédia Ilustrada de Belas Artes, Grolier, Lda. - 7ª. Edição 1979

2 comentários:

  1. Bom dia!
    Através desta, gostariamos de saber maiores informações sobre a tela "A Jovem Vendedora de Frutas", onde se encontra o quadro original? Quanto custaria uma tela original ou réplica desta obra?
    Atenciosamente

    Valdete Régis

    Itajaí, Santa Catarina, Brasil

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  2. Olá, Valdete
    Obrigada por ter visitado o meu blogue.
    Os quadros deste artista, tanto quanto sei por notícias vinda a público em diversos meios de comunicação , atingiram valores que vão desde os 350.000 € até os 3.651.144 €, que foi o valor do quadro CRISTO, EL VARÓN DE LOS DOLORES, vendido pela leiloeira Cristie’s de Londres.
    Há várias casas especializadas em cópias de grandes obras, basta fazer uma pesquisa na net que estou certa vai encontrar o que procura.
    Cordiais saudações,

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