segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Domingos Sequeira






Domingos Sequeira
1768-1837

Pintor Português de transição do século XVIII para o século XIX, do Neoclassicismo para o Romantismo.





No dia 10 de Março de 1768, nasce em Belém, Lisboa, Domingos António do Espírito Santo.
Os primeiros desenhos assinados com o apelido “Sequeira” – nome que o jovem artista tomou do padrinho de baptismo, o tendeiro Domingos de Sequeira Chaves – datam de 1782.
Em 1784 ganha o 1º. Prémio do concurso anual da Fundação Ricardo Espírito Santo. Dois anos depois obtém novamente o 1º. Prémio com o desenho Ismael expulsando Agar, (Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga). Terminados os cinco anos de aprendizagem, entra para a oficina do pintor Francisco de Setúbal.
Em 1788, parte para Roma como pensionista real, benesse que se crê ter sido concedida por intervenção do marquês de Marialva. Em 1789, recebe o 2º. Prémio da classe de pintura do Concurso Clementino, com o desenho Milagre da Multiplicação dos Pães e dos Peixes e dois desenhos do Sacrifício de Isaac (Roma, Accademia Nacionallle di San Luca).
Em 1795, regressa a Lisboa sendo recompensado pelo príncipe regente com uma pensão vitalícia de 60 moedas anuais, sem prejuízo das remunerações que houvesse de receber por cada uma das obras que executasse.
António de Sequeira vinha habituado aos preços elevados de Roma. Todos queriam ter um quadro do eminente pintor, mas recuavam perante o exagero dos preços que ele pedia. Exagero para os costumes de Portugal, mas não para os preços que já então lá fora obtinham as obras de arte. Quando o conde de Vale de Reis encomendou 10 quadros de batalhas para as suas antecâmaras, e que Sequeira lhe pediu mil moedas de ouro (4.800 reis), o conde ficou espantado e desistiu da sua ideia.
Sequeira, que contava enriquecer rapidamente para voltar a Roma e casar com Nannina Cometti, senhora por quem estava perdidamente enamorado, entristeceu. Sempre fora religioso, os dissabores agravaram-lhe a sua tendência ascética, e saiu da capital, indo ocultar o seu desânimo e desespero no ermo da serra do Buçaco, donde passou para a Cartuxa de Laveiras, estando, naquele convento como noviço, muito seriamente disposto a professar. Ali esteve desde o fim do século XVIII até ao ano de 1802, pintando uns quadros todos alusivos ao estado que desejava tomar. Finalmente, D. Rodrigo de Sousa Coutinho, informado da deplorável resolução de Domingos Sequeira, conseguiu arrancá-lo do convento, e intercedendo junto ao príncipe regente, mostrando-lhe a perda irreparável que seria para a arte portuguesa a falta de Sequeira no mundo artístico, o príncipe, por decreto de 28 de Junho de 1802, nomeou-o primeiro pintor da corte com um ordenado de 2.000 reis, e com obrigação de dirigir juntamente com Francisco Vieira Portuense as decorações artísticas do paço da Ajuda.
Em 1807 está no Porto aquando da primeira invasão francesa e consequente partida da família real para o Brasil. Em 1808 pina a alegoria “Junot protegendo a cidade de Lisboa” (Porto, Museu Nacional Soares dos Reis). Em Dezembro desse mesmo ano, após a retirada das tropas napoleónicas, é preso e acusado de colaboracionismo com os franceses. Sai em liberdade em 1809.
Em 1823 na sequência da Vilafrancada exila-se em Paris com a filha e em 1826 parte para Roma.
Morre em Roma a 7 de Março de 1837 com 69 anos de idade.

 Adoração dos Magos, 1828
Óleo sobre tela, 100 x 140 cm
Colecção particular

 Apoteose de Lord Wellington, 1812
Desenho a guache, 52,50 x 40,30
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, Portugal

 Ismael expulsando Agar, 1786
Desenho a sanguínea, 59,2 x 49,50 cm
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, Portugal

 Lisboa protegendo os seus habitantes, 1812
Óleo sobre tela, 225 x 138 cm
Museu da Cidade, Câmara Municipal de Lisboa, Portugal

 Portugal à beira do abismo, 1820
Óleo sobre tela, 55 x 40 cm
Colecção particular

 Pregação de S. João Baptista, 1793
Óleo sobre tela, 78,7 x 134,9
Fundação da Casa de Bragança
Paço Ducal de Vila Viçosa, Portugal

 Retrato de Francisco António de Almeida Morais, 1821-22
Desenho a carvão e giz sobre papel, 40 x 28,60 cm
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, Portugal

 O Príncipe Regente passando revista às tropas na Azambuja, 1803
Óleo sobre tela, 1000 x 81 cm
Palácio Nacional de Queluz, Portugal

 Retrato de Mariana Benedita, filha do pintor, 1822
Óleo sobre tela, 84 x 65 cm
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, Portugal

 Retrato do Conde de Farrobo, 1813
Óleo sobre tela, 102 x 62 cm
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, Portugal

Retrato dos filhos do pintor, 1815-16
Óleo sobre tela, 107 x 78 cm
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, Portugal

Fonte: Livro Pintores Portugueses de Hugo Xavier

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