quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Tiziano





Tiziano
1485/90-1576


O pintor que mais se aproximou dos ideais do Alto Renascimento.







Tiziano, cujo verdadeiro nome era Tiziano Vecelli, nasceu em Pieve di Cadore, no sopé dos Alpes, a norte de Veneza. Durante muito tempo julgou-se que a data do seu nascimento era 1477, sendo esta data fixada através das cartas que ele próprio, em avançada idade, escreveu ao seu patrono, Filipe II de Espanha. Nas cartas, que foram escritas com a finalidade de conseguir o pagamento mais rápido das suas obras, confessa estar a envelhecer cada vez mais e a ficar débil e cansado. Contudo, o rumo da sua carreira e os primeiros tempos em que um artista da sua qualidade pode ter-se desenvolvido sugerem que a data do seu nascimento poderá ser mais razoavelmente fixada entre 1485 e 1490. É improvável que fosse mais velho que Giorgione, sob cuja orientação estava a trabalhar em 1508.
A primeira aprendizagem de Tiziano em Veneza foi feita com um desenhador menor de mosaicos, depois com Gentile Bellini, e, mais tarde, com Giovani Bellini. Contudo, a influência decisiva foi a de Giorgione, com quem trabalhou nos frescos, hoje inteiramente perdidos, das paredes exteriores do Palazzo Fondaco dei Tadeschi, em 1508. O contacto com Giorgione alargou o seu estilo, de maneira que as formas tornaram-se mais largas e o tratamento da luz mais subtil.
A morte prematura de Giorgione, em 1510, fez que uma série das suas obras fossem completadas por Tiziano e Sebastiano del Piombo, o que não só diminuiu as atribuições feitas a Giorgione, como toldou o desenvolvimento inicial de Tiziano.
Em 1511, estava a trabalhar em Pádua, nos frescos da Scuola del Santo. No mesmo ano, quando Sebastiano del Piombo trocou Veneza por Roma, Tiziano regressa a Veneza, onde era o único rival sério do velho Giovanni Bellini. Em 1516, sucedeu a Bellini como pintor do Estado. A sua grande reputação pode dizer-se que começou com A Assunção pintada para a Igreja dos Frari, em 1516-18. Há na obra um sentimento novo graças à inspiração e ao brilho da cor. Dá ênfase ao movimento dramático e ao esplendor do gesto, que excedem mesmo os maiores aspectos de Belliini.
Assunção, 1516-18
Óleo sobre Madeira, 690 x 360 cm
Santa Maria Gloriosa dei Frari, Veneza

Em 1532, pintou um retrato do imperador Carlos V em Bolonha, que apesar de ser uma cópia de um retrato de corpo inteiro feito pelo pintor alemão Seisenegger, causou tal impressão no imperador que Tiziano foi enobrecido e feito pintor da corte em 1534. A sua relação amigável com o patrono imperial só tem paralelo com a posição mantida por Leonardo na corte de França e a de Rafael e Miguel Ângelo no Vaticano.
Filipe II, que em 1555 sucedeu a Carlos V como rei de Espanha, continuou o seu patrocínio e foi o maior coleccionador das obras de Tiziano.
Durante a década de 1540, Tiziano sofreu uma leve influência de Miguel Ângelo, e a sua visita a Roma em 1545, a única documentada, teve certamente como efeito acentuar as inclinações maneiristas das suas obras. Tendia para um esquema de cor mais ácido e para composições mais envolventes e complicadas. Foi durante os anos de 1547 a 1550 que desenvolveu, principalmente como resultado do patrocínio imperial, aquela espécie de retrato nobre, simples e directo, que se tornou o próprio tipo do retrato do grande maneirismo e foi mais tarde explorado por Rubens, Van Dyck e quase todos os outros grandes pintores.
Nos últimos anos da sua vida, Tiziano produziu muitos assuntos mitológicos (que ele próprio descrevia como «poesia»), na maior parte para Filipe II, e que mostram o rei espanhol como um coleccionador capaz de alargar os confins mais estreitos da arte da Contra-Reforma. Nestas obras, Tiziano desenvolveu uma liberdade de manejo tal que quase antecipou o impressionismo no uso de manchas de cor e de luz e sombra.
No fim da sua vida, Tiziano pintou obras que, analisadas de perto, parecem uma massa de manchas sem formas, marcas de dedos e riscos de pincel, mas que, à distância, revelam as mais mágicas combinações de forma e cor. Este estranho estilo fez que o acusassem de falta de capacidade. Foi Palma Giovane que descreveu o seu método de trabalho, dizendo que ele olhava para as suas pinturas quase como inimigo, deixando-as durante meses viradas para a parede, e depois com determinação decidida, corrigia-as, voltava a pintá-las, suavizava ou acentuava, fazendo uso mais dos dedos que do pincel.
Flora, 1515-20
Óleo sobre Tela, 80 x 64 cm
Galeria Uffizi, Florença

Venus de Urbino, 1538
Óleo sobre tela 119 x 165 cm
Galeria Uffizi, Florença

Retrato do Imperador Carlos V, 1548
Óleo sobre tela 332 x 279 cm
Museu do Prado, Madrid

Mater Dolorosa, 1550
Òleo sobre madeira 68 x 61 cm
Museu do Prado, Madrid

A Sagrada Família com um Pastor, 1510
Óleo sobre Tela 106 x 143
cm National Gallery, Londres

Cain e Abel, 1542-44
Óleo sobre Tela, 298 x 282 cm
Santa Maria della Salute, Veneza

David e Golias, 1542-44
Óleo sobre Tela, 300 x 285 cm
Santa Maria della Salute, Veneza

O Sacrifício de Isaac, 1542-44
Óleo sobre Tela, 328 x 285 cm
Santa Maria della Salute, Veneza

Adão e Eva, 1550
Óleo sobre Tela, 240 x 186 cm
Museu do Prado, Madrid

Eleonora Gonzaga, 1538
Óleo sobre Tela, 114 x 102 cm
Galeria Uffizi, Florence


Fonte: Enciclopédia Ilustrada de Pintura, Desenho e Escultura - Grolier Incorporated - 7ª. publicação - 1979

Sem comentários:

Publicar um comentário