quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Alfredo Keil

Para a maioria dos portugueses Alfredo Keil significa apenas o nome do autor da música do Hino Nacional. Mas este português de origem alemã, além de compositor, também foi escritor, poeta, fotógrafo, pintor e coleccionador de obras de arte.
Alfredo Cristiano Keil nasceu em Lisboa a 3 de julho de 1850 e morreu em Hamburgo a 4 de outubro de 1907.
Alfredo Keil era filho de Johan Cristiano Keil (mestre de costura de fidalgos da corte e homem muito culto e de fino bom gosto). e de Maria Josefina Stellflug, de origem alsaciana, ambos radicados em Portugal.
Mestre alfaiate Christian Keil possuía duas alfaiatarias na Rua Nova do Almada e viria a ser o alfaiate do rei D. Luís e de boa parte da aristocracia e burguesia rica lisboeta. Porém a sua clientela estendia-se a outros países. Muitos clientes vinham a Lisboa mandar fazer os seus fatos, visitar a cidade e ficariam amigos deste alemão emigrado e bem relacionado. Johan Keil rapidamente se liga à alta finança internacional, investe em diversas Bolsas e adquire uma fortuna considerável, nomeadamente em títulos e imóveis a render, em Lisboa.
O filho pôde assim ter uma educação de menino rico sem qualquer limitação nos seus estudos e viagens. Desde muito novo que Alfredo Keil mostrou um talento invulgar para a música, tendo, aos 12 anos, escrito a sua primeira peça musical com o título Pensé Musicale, que dedicou à mãe.
Estudou no Colégio de Santo António e, em 1858, já tinha lições de música com António Soller.
Era um pintor de paisagens, mas também de interiores requintados, como o quadro Leitura de uma Carta, trazido a público em 1874 e recebido com entusiasmo, tanto pela aristocracia ainda dominante, como pelos burgueses endinheirados, a quem a arte singela do romantismo muito sensibilizava.
Pintor do Romantismo, numa época em que a arte mundial ia em direcção do realismo. Músico e compositor lírico, escritor e poeta, Keil não era um pintor de tempo integral, embora também não fosse um artista de fins-de-semana, pois pintava regularmente e deixou centenas de quadros com impressão fina e delicada, de excelente qualidade.
Estudou desenho e música em Nuremberga, numa academia dirigida pelo pintor Kaulbach e von Kreling.
Em 1870, devido à guerra Franco-Prussiana, regressa a Portugal.
Em 1878, inscreveu-se na Exposição Internacional de Paris.
Em 1879, esteve no Brasil, expondo no Salão Nacional de Bellas-Artes, onde conquistou medalha de ouro.
Em 1886, participou da Exposição de Madrid, recebendo a Condecoração da Ordem de Carlos III de Espanha.
Em Portugal o rei D. Luís condecorou-o com a Ordem de Cristo.
Em 1890, realizou uma exposição individual em Lisboa, na qual expôs cerca de trezentos quadros. Foi a consagração no seu país, após o reconhecimento que lhe fora dado lá fora.
Em Portugal, a sua presença como pintor foi ofuscada pelo brilhantismo com que se destacou na música e na poesia.
Entre os livros que publicou, destaca-se o livro de poesia Tojos e Rosmaninhos (1908).
Em 1890, o ultimato inglês inspirou Alfredo Keil que deu voz à indignação geral compondo "A Portuguesa". Henrique Lopes de Mendonça escreveu para esta música o poema Heróis do Mar, que se tornou popular em todo o país e veio a ser adoptada pela Assembleia Constituinte como hino nacional da República Portuguesa em 1911.
Alfredo Keil não chegou a saber, porque morreu em Hamburgo a 4 de Outubro de 1907 onde tinha ido submeter-se a uma operação cirúrgica.
Aqui ficam algumas das suas obras:
Lago Chiemsee - Baviera
Óleo sobre tela colada em cartão
12 x 40 cm - de 1869
O Aterro de 1881
Óleo sobre madeira 9 x 15 cm
Museu do Chiado - Lisboa
Peninha - Sintra
Óleo sobre tela colada em cartão
19,5 x 23,5 cm - Ano de 1879
Paisagem de Sintra
Óleo sobre madeira
26 x 19 cm - sem data
Museu Grão-Vasco - Viseu
Penedos da Serra de Sintra
Óleo sobre tela colada em madeira
38,5 x 24,5 cm - sem data
Um rebanho em Sintra
Óleo sobre tela - 25 x 37 cm - 1898
Museu do Chiado - Lisboa
Ponte rústica em Colares
Óleo sobre tela colada em cartão
25 x 38 cm - Ano 1879
Museu do Chiado - Lisboa
Azenhas do mar
Óleo sobre tela
24 x 38,5 cm - Ano 1895
Colecção Particular

ARTE E CULTURA NA SOCIEDADE PORTUGUESA, 1870-1900

Fontes:
http://www.centenariorepublica.pt/
http://www.wikipedia.org/
http://www.leme.pt/
Alfredo Keil, 1850-1907 (livro públicado pelo MC e IPPA em Dezembro de 2001

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